Os motivos que explicam o mau comportamento do mercados de acções emergente


Os investidores mostram-se frustrados pelo escasso dinamismo que demonstra este ano o mercado accionista emergente. Mas… Porque decepciona esta classe de activos? Há algo na história que tenha mudado? É um problema de valorização ou uma questão de benefícios?
 
Segundo George Iwanicki, estratega macro de mercados emergentes da JP Morgan Asset Management, a reversão das margens empresariais é a causa que explica a desfavorável evolução destes mercados, uma vez que nem os fundamentais macroeconómicos nem as valorizações têm nada que ver com este comportamento.
 
Num artigo que publicou, no qual analisa a situação dos emergentes, Iwanicki considera que, indubitavelmente, “os elementos que provocaram esta deterioração são cíclicos. Não estamos no início de uma contracção secular”, afirma. “Ainda supondo que os benefícios empresariais regressem à média dos últimos dez anos – o qual suporia não ter em conta a melhoria da disciplina do capital corporativo levada a cabo por estas empresas entre 2002 e 2006 –, as valorizações continuariam a estar em níveis razoavelmente atractivos, que historicamente convidaram os investidores a acumular estes activos nas suas carteiras”. 
 
Apesar disso, o profissional da J.P.Morgan AM reconhece que no mundo emergente existe pressão de margens, embora seja prematuro para saber se isto pode transformar-se ou não num factor de preocupação. Também revela que se perdeu concorrência nos mercados emergentes. “Com os mesmos métodos de avaliação na mão, o mercado acionista europeu cota em níveis historicamente baixos, o que supõe uma invulgar concorrência para os mercados em desenvolvimento”, refere Iwanicki.
 
Cuidado com a renúncia às perspectivas de crescimento da Índia
 
Os problemas que atravessam algumas das grandes economias emergentes também não ajudam. Portanto, os investidores devem ter cuidado em não renunciar às perspectivas de crescimento a longo prazo da Índia e reconhecer que a China continua ancorada num ciclo em forma de ‘U’ devido, em parte, à tenacidade da resposta política, indica este estratega da JP Morgan AM.

Iwanicki pensa que a rotação sectorial vivida no verão derivou de uma deslocação do investimento desde sectores cíclicos para defensivos. Isto resolver-se-á com um renovado interesse por empresas vinculadas ao crescimento económico. “Por países, as baixas valorizações animam-nos a manter a nossa sobreponderação em China e cortar o peso Brasil em favor da Turquia”. Igualmente “o mercado indiano representa uma boa oportunidade de investimento, a longo prazo, sobretudo se as cotações se situarem em níveis ainda mais baixos”.

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