Os melhores fundos de obrigações para investir em 2020


Num contexto de baixas yields na dívida pública, 2020 apresenta-se como outro ano difícil para os mercados de obrigações, que previsivelmente será marcado pela política dos bancos centrais. Neste contexto, são dois os tipos de estratégias mais recomendadas entre os máximos responsáveis das gestoras internacionais com escritório de representação na Península Ibérica, na sexta edição da consulta a estes responsáveis em Portugal.

Por um lado, sugem as estratégias de obrigações globais, fundos que delegam no gestor a responsabilidade de se moverem pelo mercado para capturar as oportunidades e gerar rentabilidades positivas, enquanto, por outro,  aparecem as estratégias de obrigações de curto prazo. No entanto, nesta edição, a variedade de estratégias dentro desta tipologia de produto que elegem como principal aposta para investir em 2020 é maior, com fundos que centram o seu universo em distintos segmentos de mercado onde se pode obter uma maior rentabilidade, entre os quais estão o high yield e a dívida emergente.

Dos restantes produtos selecionados destaque ainda para as estratégias de crédito europeu, ou ainda para outras mais específicas, como por exemplo dívida subordinada ou ativos hipotecários.

Seguindo por ordem alfabética, apresentamos-lhe quais os fundos eleitos pelos máximos responsáveis das gestoras internacionais, estratégias que escolhem destacar para o próximo ano e os motivos dessa escolha:

A aposta de Marta Marín, diretora geral da Amundi para a Península Ibérica, é o Amundi Funds Global Marta MarínSubordinated Bond. “Perante a compressão de yields em todo o universo de obrigações, a dívida subordinada emitida por empresas de qualidade pode oferecer retornos atrativos com um rigoroso controlo de risco. Este fundo tem um enfoque global e flexível com o objetivo de capturar os melhores perfis de rentabilidade/risco em todos os sectores e apoiando-se nas fortes capacidades de uma equipa de gestão de crédito dedicada e 43 analistas de crédito. Uma gestão ativa da alocação de ativos entre diferentes tipos de estruturas permitindo ser flexíveis em termos de exposição ao risco, classes de ativos e regiões. A Amundi conta com mais de 15 anos de experiência nesta classe de ativos”, ressalta.

Beatriz Barros de LisO fundo eleito por Beatriz de Barros Lis, diretora geral da AXA IM para Portugal e Espanha é o AXA WF Global Strategic Bonds, um fundo de obrigações flexível, cauteloso, sem índice de referência, cujo objetivo consiste em aproveitar as oportunidades de mercado e centrar-se na preservação do capital em fases de queda de mercado. “Neste fundo, a gestora reúne as melhores ideias da casa em obrigações a nível global. É co-gerido pelo diretor de investimentos de Obrigações da casa, Chris Iggo. São três as fontes de rentabilidade do fundo: a distribuição de ativos (obrigações de governos, corporativas, inflação, high yield...), a gestão ativa da duração da carteira e a seleção das obrigações (bond picking). O fundo foi lançado em 2012 e é de longe um dos mais interessantes do mercado ao nível de retorno ajustado ao risco”, aponta.

O produto selecionado por Aitor Jauregui é o BGF Euro Corporate Bond Fund. “Gerido por Tom Mondelaers e Aitor JaureguiJozef Prokes, trata-se de um fundo que se centra em obrigações corporativas europeias investindo um mínimo de 90% da sua carteira em emissões com qualidade creditícia investment grade e podendo combinar até cerca de 20% em obrigações governamentais. O fundo emprega estratégias de valor relativo para a geração de alfa e retornos constantes. Tem um intervalo de duração de entre três e sete anos. Alavancando-se na plataforma de análise de riscos da BlackRock Aladdin, a equipa gestora identifica as fontes de risco e rentabilidade da carteira, e mantém uma volatilidade controlada. O intervalo habitual de tracking error está entre 0,7%-2%, sem exceder um máximo de 3%”, sublinha o responsável da BlackRock para Portugal, Espanha e Andorra.

O produto selecionado por Sasha Evers,  diretor geral da BNY Mellon IM para Ibéria e América Latina, é o BNY Mellon Global Short-Dated High Yield Bond Fund. “É gerido pela Insight, gestora especializada em obrigações e retorno absoluto. Tem como objetivo gerar uma rentabilidade anualizada de 2% superior à rentabilidade da Libor Sasha EversUSD a três meses durante períodos móveis de três anos. Tem gerado uma rentabilidade acima do seu objetivo desde o seu lançamento. A duração típica da carteira é de aproximadamente um ano. Investe principalmente em emissões high yield com vencimentos curtos. A estratégia tem um information ratio elevado (de 1,92 desde o lançamento até 31/07/2019) e uma volatilidade anualizada baixa (de 2,23% durante três anos até 31/07/2019). Tem um enfoque de preservação de capital com fincapé em evitar incumprimentos aproveitando todos os recursos da Insight na análise de crédito. Gere de forma ativa a alocação a sectores e por países. Tem um enfoque global sem restrições, posicionamento que oferece um universo mais amplo de oportunidades”, explica.

A pergunta que, segundo Mario González e Álvaro Fernández Arrieta, muitos investidores fazem é: onde Álvaro Fernández Arrieta_ Mario Gonzálezencontrar valor em obrigações no contexto atual? Tal como explicam os diretores de desenvolvimento de Negócio da Capital Group para Portugal e Espanha, “a estratégia do Capital Group Global High Income Opportunities, com 20 anos de histórico, centra-se na parte high yielding do fixed income. É um fundo income que, sem consumo de capital, tem gerido de maneira natural um income próximo de 7% desde o seu lançamento. Investe de forma ativa e diversificada no universo high yield global e em todo o mundo de dívida emergente. Nos seus 20 anos de histórico apenas teve quatro anos com rentabilidades negativas (dois deles quase planos). Sem o recurso de derivados, sem caixas negras, com aproximadamente um terço da carteira em investment grade e sem ir a universos ilíquidos de obrigações, o fundo é uma solução simples de entender e provada para aqueles investidores que queiram colocar a sua carteira de obrigações a trabalhar”.

Mariano_ArenillasEm obrigações na DWS são otimistas ao nível da dívida corporativa com investment grade da zona euro. “Em primeiro lugar porque as baixas taxas de juro resultam num menor custo financeiro nas empresas e, por outro, porque o BCE relançou o seu plano de compras mensal de obrigações. Favorecemos mais os prazos inferiores a 36 meses pela sua maior certeza, e evitamos o risco divisa não euro que poderia fazer variar o potencial de lucro, a favor ou contra. Para isso, recomendamos o DWS Invest Short Duration Credit que em 2019 em meados de novembro acumulava uma rentabilidade de 2,5% com uma volatilidade que ficou contida abaixo dos 2%. Se estivermos certeiros nas nossas previsões é um fundo que deverá oferecer retornos positivos em 2020, apesar de, no caso de cortes, o seu curto prazo e qualidade creditícia deverem funcionar como colchão que amortece as quedas”, destaca Mariano Arenillas, responsável da DWS para Ibéria.

O fundo selecionador por Lucía Catalán é o GS Euro Short Duration Bond Plus, produto que conta com uma Lucía Catalán_goldman sachsduração média de dois anos e que, segundo a diretora geral da Goldman Sachs AM para a Península Ibérica e América Latina, “pode proporcionar diversificação ao investir numa grande variedade de sectores de obrigações de elevada qualidade em euros a curto prazo, reduzindo o risco geral da carteira, ao ter uma menor sensibilidade às taxas de juro e potencialmente uma menor volatilidade do que estratégias de duração mais longa. A maior parte da carteira investe em obrigações governamentais e corporativas com rating investment grade, podendo destinar até cerca de 10% a obrigações high yield e dívida de mercados emergentes. Um dos grandes diferenciadores é o enfoque de investimento da equipa. São mais de 290 profissionais os que se especializam na geração de ideias, análise fundamental e estratégias macro. Os gestores confiam nos especialistas dos distintos sectores na hora de gerar as suas melhores ideias. Destaca também a sua capacidade na seleção das obrigações corporativas, tratando sempre de manter uma posição abaixo de 2,5% para manter uma carteira diversificada e ajustada ao risco”.

Inigo Escudero InvescoO produto de Iñigo Escudero é o Invesco Belt & Road Debt Fund. Na opinião do diretor de Vendas e Serviço ao Cliente da Invesco para Ibéria e América Latina, uma das oportunidades potencialmente mais atrativas para 2020 é a iniciativa Belt & Road, impulsionada pela China e que pretende melhorar a conectividade da antiga Rota da Seda, que inclui 68 países da Ásia, Europa e Médio Oriente e África. “Já se iniciaram mais de 2.000 projetos de infraestruturas e estima-se que só a China esteja a investir cerca de 200.000 milhões de dólares anuais. É o primeiro fundo de obrigações temáticas que oferece exposição direta a esta oportunidade. Investe em obrigações governamentais (em dólares) e obrigações corporativas  com grau de investimento e high yield de emissores que beneficiarão do incremento do capital e fluxos comerciais catalisados pela RBI. O fundo pretende obter um rendimento da carteira de 7% anual combinando a análise top-down e bottom-up, com um enfoque flexível e ativo, sem estar condicionado por nenhum índice. Procura limitar a volatilidade a 6% anual durante a maior parte do tempo excluindo da carteira os países com piores classificações ESG”.

O produto de obrigações com o qual ficaria Javier Dorado, diretor geral da J.P. Morgan AM para Portugal e javierEspanha, é o JPMorgan Funds- Income Funds. “É um fundo de melhores ideias de investimento em obrigações globais que procura gerar uma yield atrativa com uma volatilidade moderada, que investe em todos os ativos de obrigações de maneira flexível e no qual conta, para além disso, com a possibilidade de ter uma distribuição de rendimentos previsíveis e constantes. A equipa gestora utiliza a alocação sectorial dentro deste amplo universo para maximizar a TIR, ao mesmo tempo que reduz o nível de risco da carteira através de uma elevada diversificação. O resultado é uma carteira mais equilibrada com uma menor volatilidade do que a dos sectores subjacentes sozinhos. Num contexto como o atual o fundo constitui uma boa alternativa para as carteiras com uma yield atrativa e baixa volatilidade”, assinala.

Gonzalo Azcoitia_JupiterAs duas grandes apostas de Gonzalo Azcoitia, responsável do escritório Ibérico da Jupiter Asset Management são o Jupiter Dynamic Bond e o Jupiter Global Emerging Markets Corporate Bond. O primeiro trata-se “um fundo flexível global de fixed income que identifica oportunidades interessantes através de uma abordagem unconstrained. O fundo tem a flexibilidade de procurar o que seu o gestor, Ariel Bezalel, acredita ser a melhor oportunidade de investimento numa ampla gama de diferentes tipos de obrigações. Tem como objetivo investir num espectro de fixed income de uma forma dinâmica e flexível, sempre na perspetiva de risco-retorno, e com um horizonte de longo prazo”. O segundo é um fundo global que investe em “obrigações emitidas por empresas de mercados emergentes. O processo de investimento começa ao analisar a economia global de forma a determinar quanto risco é apropriado assumir. O fundo tem uma abordagem de investimento flexível. Exporadicamente são utilizados derivados, por exemplo, para ajudar a mitigar riscos associados aos movimentos inesperados nas taxas de juro (que afetam os preços das obrigações)”, explica o responsável da Jupiter.

Javier_Mallo_Legg_MasonJavier Mallo, responsável da Legg Mason AM para Portugal e Espanha, acredita que o universo de obrigações continuará a proporcionar rendimentos nos próximos meses aos investidores, sempre e quando se cumpram algumas premissas: gestão ativa, investimento global e máxima flexibilidade numa estratégia sem restrições: “Tudo isso encontra-se no Legg Mason Western Asset Macro Opportunities Bond, fundo cujo gestor principal, Ken Leech, conta com mais de 40 anos de experiência na indústria. O fundo tem capacidade de investir em todo o universo de obrigações e a sua duração também é altamente flexível (pode oscilar entre -5 e + 10 anos), o que permite capturar as melhores oportunidades independentemente da situação de mercado na qual nos encontremos”, sublinha Mallo.  

A aposta de Ignacio Rodríguez Añino é o M&G (Lux) Optimal Income. “Este fundo de obrigações flexíveis conta ignacio rodriguezcom um comportamento histórico muito sólido, impulsionado pela trajetória da sua equipa gestora que lidera desde 2007 Richard Woolnough. Esta flexibilidade permite à equipa gerir de maneira muito ativa elementos tão importantes num fundo destas caraterísticas como são a duração, os movimentos da curva, a sua exposição de maneira seletiva a divisas e diferentes sectores do universo de obrigações corporativas e governamentais. Gerir de maneira ativa e sem restrições será chave nos próximos meses, tal como foi durante 2019, para proteger o capital e capturar as oportunidades do mercado de maneira rápida e eficaz nos próximos meses”, destaca o responsável da M&G Investments para Portugal, Espanha e América Latina.

A eleição de Laura Donzella é o Nordea 1 European Covered Bond Fund e a sua versão de curta duração, o Nordea 1 Low Duration European Covered Bond Fund. Na opinião da diretora de Vendas para Ibéria e América laura donzellaLatina da Nordea AM, “no cenário atual de taxas baixas, os investimentos de menor risco enfrentam sérias dificuldades para oferecer leves retornos positivos, se por exemplo seguimos um enfoque de comprar e manter, tentando obter o maior cupão ou indexando-se a um índice. No entanto, neste cenário, a gestão ativa joga um papel decisivo. As oportunidades de valor relativo estão tão presentes em mercados com taxas negativas, como com taxas elevadas. Na Nordea permanecemos fiéis à nossa oferta de investimentos seguros: a gestão de covered bonds de forma ativa e dinâmica é a nossa virtude e fortaleza na hora de gerar alfa. As nossas carteiras de covered bonds adaptam a exposição da nossa estratégia de covered bonds europeus, oferecendo soluções com uma duração e risco ajustada. Estas soluções oferecem investimentos de alta qualidade combinadas com uma atrativa rentabilidade que só um gestor ativo pode fornecer à carteira”.

Gonzalo_Rengifo_Pictet_AMEm obrigações, Gonzalo Rengifo não vê valor em obrigações de mercados desenvolvidos, embora considere que continuem a existir oportunidades. “Pode ser conveniente uma estratégia de rentabilidade absoluta como o Pictet-Global Fixed Income Opportunities, que mantém um enfoque global flexível sem limitações, em todos os sectores de obrigações, mercados desenvolvidos e emergentes, diversificando taxas de juro, diferenciais de rentabilidade a vencimento em crédito e divisas, tratando de aproveitar oportunidades de valor relativo e volatilidades. O fundo tem o objetivo de rentabilidade anual de 6% a 8% sobre a liquidez em termos brutos a médio e longo prazo. Denominado em dólares, dispõe de classes com cobertura em euros. Pode ser atrativo para investidores em obrigações dispostos a aceitar o maior nível de risco com o fim de obter rentabilidades superiores”, aponta o diretor geral de Pictet AM para a Ibéria e América Latina.

Segundo Carla Bergareche, neste contexto de baixas yields da dívida pública (inclusive com muitas em território Carlanegativo), extrair rendimento das fontes tradicionais converteu-se num desafio. “O Schroder ISF Global Credit Income procura gerar um rendimento estável (na ordem de 5% em dólares) investindo em todo o espectro do crédito global. O fundo gerido pelo reconhecido Patrick Vogel e a sua equipa de mais de 40 analistas de crédito, é gerido de maneira ativa, sem restrições relativamente a um índice de referência e com base em temáticas de investimento que ajudam a dirigir a seleção individual de títulos. Presta especial atenção à gestão de riscos, com um objetivo de minimização de quedas”, indica a diretora geral da Schroders para Portugal e Espanha.

imageDe acordo com Álvaro Cabeza, “em 2020 o cenário para o mercado de obrigações continuará a ser muito complicado, marcado por um contexto de desaceleração económica global, guerras comerciais, instabilidade política em muitos lugares do planeta e em que os bancos centrais ficaram praticamente sem ferramentas de política monetária com as que dinamizar a economia. Perante esta perspetiva, apostamos pelo enfoque flexível em obrigações do UBS Global Dynamic Bond, um fundo flexível e com capacidade para se adaptar a contextos de mercado. Esta estratégia tenta encontrar oportunidades em qualquer sector de fixed income a nível global, gerindo a duração de forma muito ativa, e com parâmetros de investimento suficientemente amplos em vez de bem definidos”, ressalta o responsável de Vendas da UBS AM para Ibéria.

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