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Os investidores voltam a pedir fundos monetários perante a promessa dos bancos centrais


Perante a promessa de mais estímulos monetários, os investidores procuram fundos de obrigações. E agora esse apetite voraz contagiou os monetários. Em julho entraram 46 000 milhões de euros em money market UCITS; das grandes categorias, foi a que mais vendeu em termos líquidos. Mas é uma tendência que foi acelerando ao longo do ano à medida que os bancos centrais confirmavam o seu compromisso com os mercados.

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Gráfico: Dados da EFAMA, a julho de 2019.

E nota-se tanto na Europa como nos Estados Unidos. Como já aconteceu em 2007 e 2008, quando a Reserva Federal baixou as taxas para responder à crise financeira, os fluxos dispararam nos monetários. Segundo o gráfico que publicou o Bank of America Merrill Lynch, não se via um ritmo de entradas assim desde a queda da Lehman Brothers: 322 000 milhões de dólares em fluxos líquidos durante 2019.

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Com a grande diferença de que agora os investidores têm às suas costas uma década de rally nas obrigações que secou as perspetivas de rentabilidade para este tipo de produtos.

Este apetite por obrigações é o principal motor para que as vendas líquidas dos fundos UCITS tenha tocado máximos de 18 meses, segundo analisa Bernar Delbecque, diretor sénior de Economia e Análise da EFAMA. De forma ininterrupta o dinheiro entrou em força até representar 191 000 milhões de euros em vendas líquidas de UCITS de obrigações até julho. A isso somam-se os 61 000 milhões em monetários.

Para dar exemplos que contextualizam: nos UCITS as vendas líquidas totais deste ano somam 172 300 milhões de euros. Isto é, a procura por obrigações está a fazer de almofada face às saídas em fundos de ações, que perdem quase 63 000 milhões no mesmo período.

Esta tendência explica-se pelo grande dilema que enfrentam os investidores. Por um lado, procuram adiantar-se à reativação dos estímulos monetários através de fundos de obrigações. Mas por outro, não renunciam a proteger o seu capital num contexto de mercado no qual a macroeconomia emite sinais de alerta.

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