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Os gestores posicionam-se sobre a guerra comercial: trocam ações emergentes por americanas


O inquérito a gestores que o Bank of America Merril Lynch publica é um indicador do sentimento sobre o mercado a que os gestores de fundos têm acesso. E dos resultados demonstrados este mês de setembro podemos deduzir várias coisas.

A primeira é que apesar da guerra comercial continuar a estar em primeiro lugar na lista de grandes riscos que os gestores enfrentam, cada vez pode ter menos impacto no que à construção de carteiras se refere. De facto, cada vez são mais os gestores que normalizam o conflito comercial que os EUA e a China mantêm até ao ponto de 38% considerar que se trata de um “new normal” que não tem solução. E nessa normalização sabem como se vão posicionar: comprar ações americanas, e de mercados desenvolvidos em geral, e reduzir posições em ações emergentes.

Em concreto, a exposição a ações dos EUA aumentou em 15 pontos, a maior subida mensal desde junho de 2018, até atingir os 17% de sobreponderação, enquanto a exposição a ações emergentes se contraiu dois pontos até um total de 11% de sobre-exposição, o que fez com que os emergentes tenham deixado de ser a região favorita dos gestores. Além disso, estes também melhoraram a alocação em carteira de mercados de ações como o europeu ou o japonês, ao mesmo tempo que pioraram a sua expectativa a respeito das ações britânicas.

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Isto quer dizer que o sentimento do investidor melhorou? Sim e não já que as perspetivas a respeito dos mercados de ações melhoraram, as ações continuam a estar subponderadas nas carteiras dos gestores (4% de subponderação), tal como as obrigações, ao mesmo tempo que sobreponderam liquidez em 39%. Onde se viu uma mudança significativa foi no sentimento que têm a respeito de outros investimentos mais alternativos como são as matérias-primas e o sector imobiliário. Em concreto, a alocação a real estate subiu quatro pontos até alcançar uma sobreponderação de 11%, máximo dos últimos três anos, enquanto a que realizaram a matérias-primas aumentou em oito pontos base até alcançar os 5% de sobreponderação.

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Ao fim e ao cabo, apesar de pouco a pouco os gestores irem recuperando esse apetite investidor como demonstra o facto de que muitos estão a operar já sem cobertura, as dúvidas sobre a evolução da economia mundial continuam a pesar nas decisões. Não é em vão que 38% considera que há risco de recessão nos próximos 12 meses e 45% dos gestores opina que os lucros empresariais vão cair durante o próximo ano.

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