Os gestores opinam sobre um possível triunfo do “não” no referendo italiano


Tendo em consideração o comportamento registado pelos mercados depois da vitória, contra todos os prognósticos, do Brexit no Reino Unido e de Donald Trump nas eleições dos EUA, parece evidente que fazer prognósticos sobre qual será a resposta das ações e obrigações ao resultado do referendo de Itália será um pouco aventureiro, mas alguns profissionais de investimento resolveram arriscar. É o caso de Eliezer Ben Zimra, gestor na Edmond de Rothschild Asset Management, que considera que um “não” do povo italiano não seria necessariamente mau para os mercados. Segundo explica, o eminente referendo italiano sobre a reforma constitucional é claramente uma votação do sim ou não a Matteo Renzi. Isto foi amplamente descontado pelos mercados financeiros e, em particular, pelo mercado de obrigações.

O spread de rentabilidades da dívida soberana italiana e alemã alcançou um mínimo de 100 pontos base em março de 2016, mas desde então ampliou em 90 pontos base considerando que a vitória do não lidera as sondagens de opinião. No entanto, não é seguro que a vitória do não leve à demissão de Matteo Renzi, o que dependerá da escala do resultado. Mas mesmo que Renzi se veja obrigado a demitir, é improvável que vejamos novas eleições, mas sim a chegada de um governo tecnocrata que se manterá em funções até 2018, quando estão previstas as novas eleições. Isto deverá evitar um período de intensa instabilidade política. Além disso, o não já foi descontado no preço dos ativos de risco. Atualmente não temos exposição a Itália, mas mudaremos esse posicionamento se ganhar o não no referendo”, afirma.

 O que poderá levar um gestor a aumentar a sua exposição a Itália tendo em conta a maior incerteza que teoricamente gerará o não? Segundo Adrien Pichoud, economista chefe da SYZ AM, “os spreads italianos já se ampliaram e o preço reflete o risco específico de Itália. Se a partir de agora os mercados começarem a preocupar-se sobre o risco da zona euro, isto não só afetará as obrigações italianas, mas também se refletirá em todos os spreads de obrigações soberanas em geral. Neste contexto, a nossa visão é que é provável que as obrigações alemãs registem um melhor comportamento do que outras obrigações soberanas europeias”.

 A perspetiva a partir de Itália

A visão dada a partir de Itália é fornecida por Riccardo Ricciardi, responsável da La Française Asset Management no país. “Os grandes investidores estão fora do mercado, ou se estão dentro, têm posições curtas ou com cobertura em relação a uma potencial queda significativa. Visto que os mercados caem quando a oferta é superior à procura, temos a sensação de que o nosso mercado de valores já começou a ser vendido. Portanto, ainda que caia bruscamente, caso se produza uma ampla vitória do “não”, a queda  não duraria muito tempo, nem seria dramática. Na realidade, acreditamos que o país continuará a ser governável inclusive no pior dos cenários. Para além disso, os mercados não deverão apresentar um colapso como ocorreu com o Brexit, e poderemos ver até um rally “de alívio”, afirma.

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