Os gestores ficam com menos "seiva nova" na qual investir devido à pandemia


Os mercados de ações em 2020 não tiveram meios termos. As fortes quedas vistas no mês de março, com grande parte da população mundial confinada nas suas casas, foram sucedidas de rallies não vistos há muito tempo devido à estabilização dos casos de coronavírus e, sobretudo, perante a perceção de que estas históricas quedas do PIB vistas nas grandes economias ficariam como algo temporário prevendo uma recuperação em V que com os novos aumentos de casos no verão começa a perder o fôlego.

É por isso que quando se analisa o comportamento que de forma geral apresentou o mercado de ações este ano, o resultado não é tão negativo como seria de esperar tendo em conta que estamos imersos numa das piores crises económicas de que há memória. Por exemplo, Wall Street negoceia em máximos históricos e na Europa, alguns índices chegaram a negociar o ano em positivo ainda que o balanço anual de índices como o Eurostoxx 50 continue a ser negativo (-10%).

Não obstante, à medida que crescem as incertezas relativas ao COVID-19 e com valorizações que deixaram de ser atrativas em muitos casos, os profissionais cada vez têm menos peixes para pescar no rio das rentabilidades, principalmente se se tiver em conta que o universo de empresas investíeis tende a estreitar-se como consequência da pandemia. Segundo dados da FactSet, no primeiro semestre de 2020 houve 299 IPO (Initial public offerings), o que implica uma queda de 34,9% em comparação com o mesmo período de 2019 e, segundo explica na consultora, “devido à pandemia, 2020 está a caminho de se tornar no ano com menos atividade de IPO dos últimos quatro anos”.

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É preciso ter em conta que uma das maiores quedas na atividade foi vista precisamente num dos mercados líderes no que a IPO se refere, o americano, até ao ponto de que “esta foi só a segunda vez numa década que os três maiores IPO foram listadas fora dos U.S.-JD.com Inc. (Hong Kong), NetEase Inc. (Hong Kong), e JDE Peet's BV (Euronext Amsterdam)”, afirmam. Isto num período como foi o primeiro semestre do ano no qual segundo a FactSet 112 empresas optaram por adiar ou cancelar as suas entradas na bolsa.

Se estes cancelamentos vão para mais ou para menos vai depender da profundidade que a recessão económica atingir, intimamente ligada à evolução da pandemia nos próximos meses. Neste momento, na consultora Ernst & Young estão otimistas relativamente ao segundo semestre do ano e assim o manifestaram no seu relatório Global IPO Trends. “A curto e médio prazo, os governos vão continuar a aplicar políticas e a estimular a economia contra o aumento do desemprego. Os bancos centrais vão injetar mais liquidez nos sistemas financeiros. Ambos são um bom presságio para os mercados de valores e a oferta pública inicial”, afirmam. Atualmente, o fundador da Alibaba, Jack Ma, acaba de anunciar que tem previsto listar o Ant Group nas bolsas de valores de Hong Kong e Xangai, no que pode ser uma entrada na bolsa que supera a da Aramco.