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Os ETF também morrem


O crescente interesse dos investidores pelos ETF fez com que os provedores tenham inundado o mercado com estes produtos. O objetivo: contar com uma oferta na qual não existam vazios e que permita cobrir todas as exigências dos investidores. A consequência: um tsunami de lançamentos de novos ETF cujo êxito no mercado, muitas vezes, é tão escasso que obriga as gestoras a fazer marcha atrás e liquidá-los. Os dados mostram claramente quais são as causas que provocam a mortalidade destes produtos.

Segundo a Morningstar, desde 2002 as gestoras liquidaram mais de 800 ETF na Europa, dos quais metade foram retirados do mercado durante os últimos três anos. Trata-se dos ISIN que desapareceram do mercado. 96% desses contavam com um património inferior a 85 milhões de euros. Mais concretamente, os fundos cotados suprimidos tinham, em média, um volume de ativos na ordem dos 20 milhões de euros e uma comissão de gestão de 0,69%. Ou seja: eram pequenos e caros. A sua vida média foi de apenas três anos e meio. Se se analisar ainda com mais precisão este fenómeno observa-se até que extremo o tamanho do fundo cotado é importante para sua sobrevivência.

A mediana de toda a série de ETF que se liquidaram ao longo dos últimos 15 anos evita o efeito manada e mostra que o ponto médio esteve exatamente nos cinco milhões de euros, uma comissão de gestão de 0,65% e uma vida média de três anos. Esse é o tempo que costuma durar a paciência dos fornecedores relativamente a novos ETF que vão sendo lançados no mercado. Se em 36 meses o produto não alcançou um volume digno, o mais provável é que o produto acabe no lixo. Existe um certo nível de ativos que, se o produto não supera, conduz ao seu desaparecimento. 

Para Juan San Pío, responsável da Lyxor para a Ibéria e América Latina, este situa-se no intervalo compreendido entre os 50 e os 100 milhões de euros. “Em termos de custo e eficiência para uma gestão não é favorável manter vivo um ETF com menos de 50 milhões”, afirma. No entanto, esta regra nem sempre é cumprida, já que nem todos os subjacentes contam com o mesmo potencial de crescimento. “Não se pode pedir os mesmos ativos a um ETF que replica um índice da Malásia e a um da China, pelo que a entidade deve ponderar se estrategicamente lhe interessa oferecer esse produto”, indica César Muro, responsável de distribuição passiva na Península Ibérica da DWS.

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