Os custos dos mandatos: tabela de preços


O auge da gestão passiva, a erupção dos roboadvisor ou a redução das expectativas de rentabilidade num contexto prolongado de taxas a 0% são só algumas das razões que ameaçam as margens de lucro das gestoras de ativos financeiros. Com uma concorrência crescente e uma rentabilidade esperada decrescente, os custos cada vez pesam mais nas decisões dos investidores, já que as altas comissões cada vez têm um impacto maior nas carteiras. E, por isso, cada vez são mais as gestoras que optaram por ajustar os seus preços de modo a conservar os  investidores que cada vez dão mais importância a este tipo de gestão.

Isso nota-se, por exemplo, no último relatório Global Investor Experience da Morningstar que analisa a evolução dos custos dos fundos durante os últimos dois anos. “Vimos que as comissões dos fundos continuam a diminuir nos mercado globais. Isto reflete uma série de tendências chave, incluindo uma concorrência ordenada, a intervenção regulatória e as mudanças nas práticas que levaram à separação dos custos de assessoria e de venda, dos custos totais dos fundos em alguns mercados”, aponta Grant Kennaway, coautor do estudo.

Esta descida dos custos não se vê só nos produtos tradicionais das gestoras, mas também num dos serviços que mais está a crescer nos últimos anos: o dos mandatos institucionais. Segundo publicou a consultora BFinance num relatório intitulado Investment Management Fees: Is Competition Working? Aconteceu uma forte descida nas comissões que as gestoras cobram pelo seu serviço de mandatos independentemente do tipo de ativo que oferecem. “A pressão sobre os preços é suportada pela necessidade que os investidores têm de melhorar a diversificação da carteira, que pode incluir reduzir a exposição ao risco de capital e à popularidade de estratégias beta inteligentes e de gestão passiva”, apontam no relatório.

Em concreto, o que se analisa é a evolução que as comissões de gestão tiveram em períodos de três anos em diferentes tipos de ativos, incluindo os investimentos alternativos. No caso dos mandatos até 100 milhões de dólares sobre estratégias de ações globais, a comissão média no período que engloba julho de 2016 a julho deste ano foi de 0,55%, quando nos três anos anteriores era de 0,57%. Um pouco mais desceu a comissão média nos mandatos de ações emergentes. Em concreto desceu 6% nos últimos três anos até níveis de 0,74%.

As descidas notaram-se mais especialmente nos segmentos do mercado de obrigações. Ao fim e ao cabo é neste tipo de investimentos onde uma alta comissão pode impactar mais na rentabilidade final que o cliente pode obter, já que o potencial da dívida num contexto de taxas baixas é muito inferior ao que podem apresentar as ações. Em concreto, analisa duas das categorias que mais procura tiveram nos últimos anos: a de obrigações de retorno absoluto e a de dívida emergente.

De ambas, a quem mais reduziram os custos de gestão nos mandatos foi a primeira. Reduziram 15% nos últimos três anos até níveis médios de 0,41%, face aos 10% de queda que se viu nos mandatos de obrigações emergentes, até níveis de 0,45%.

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Dentro do universo de estratégias alternativas de retorno absoluto, os autores do relatório diferenciam entre as estratégias mais clássicas, como as que versam sobre o investimento por fatores de outras mais sofisticadas como as de merger arbitrage. Entre ambas observam-se grandes diferenças no que a custos médios se refere, já que o das primeiras é de apenas 0,51% e nas segundas aumentou para 0,71%.

Também há fortes divergências no amplo universo de mandatos sobre estratégias de multiativos. “Tendemos a ver que o preço em média é mais alto para estratégias com menos direccionalidade ao mercado, mais complexidade, que incluam instrumentos não tradicionais e que contem com maior alavancagem”, afirmam. Por isso, a estratégia onde se vêm as maiores comissões médias é a da multiestratégia, que costuma incluir investimento em hedge funds ou CTA, cujo gasto médio da gestão é de 1%.

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Em ativos privados também se nota

Quanto aos ativos privados que ficaram tão na moda nos últimos tempos face à expectativa de que sejam os que concentram as melhores rentabilidades nos próximos anos, o relatório distingue entre os preços que se vêm nos mercados mais maduros como o norte-americano e os mais incipientes como pode ser o europeu. Por exemplo, nos mandatos sobre ativos imobiliários, na Europa viu-se uma redução da comissão de gestão em média de 16%, até níveis de 1,02% enquanto nos EUA estes gastos se mantiveram sem mudanças.

A situação foi diferente no que diz respeito aos empréstimos privados, onde os preços nos EUA se vão adequando aos que se cobram na Europa. A comissão média que os gestores dos EUA cobram aos seus clientes institucionais caiu de 1,3% a 1%, por isso a oferta parece-se mais das europeias de empréstimos diretos”, afirmam.

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