Os Consistentes no país do sol nascente


Vivemos num mundo globalizado. O que era longe está cada vez mais perto e acessível e nos mercados financeiros isso não podia ser mais verdade. O Japão é um país literalmente “do outro lado mundo”, mas qualquer indivíduo ou instituição pode tão facilmente investir numa empresa japonesa como num ativo do PSI-20, nos dias que correm.

Tal como a grande parte das economias desenvolvidas, no momento, o país do sol nascente atravessa uma fase conturbada economicamente, depois de duas décadas a “ressacar” da grande festa que foi o período do “milagre japonês”. O líder político no momento, o primeiro ministro Shinzo Abe, lidera um país flagelado pela demografia, com uma população envelhecida e uma taxa de fertilidade tão baixa que apenas contribui para agravar o problema. Adicionalmente, vemos um mercado laboral “apertado”, mas sem isso se resultar numa subida dos rendimentos.

Por outro lado, o governador do Banco do Japão, Haruhiko Kuroda tem sido incansável nos seus esforços para estimular a inflação no país, com taxas negativas, a aquisição de dívida pública japonesa e ETFs (inclusive ao ponto de o banco central ser já um acionista  relevante em algumas empresas japonesas) e alavancando as expectativas do mercado com o recurso à frase mais comum entre banqueiros centrais no momento: “whatever it takes”. No entanto, este surpreendeu pela negativa na última decisão de política monetária  pela sua inatividade e os mercados não perdoaram.  

Não obstante, a incerteza gera oportunidades. O mercado de ações japonês é rico em diversidade e o talento de um gestor de ativos destaca-se neste contexto de adversidade. A Funds People identificou, através do seu modelo de seleção, os produtos de ações japonesas que demonstram mais Consistência de resultados nos últimos anos.

São três fundos de investimento de três conhecidas casas de investimento internacionais que segundo a Morningstar investem pelo menos 75% dos seus ativos em ações e dessas, 75% em ações japonesas.

Entre os Consistentes, a categoria rendeu uma média de 16,09% nos três anos que findaram em 2015, o que compara com o desvio padrão de 16,43%. O retorno médio no ano de 2016 é negativo – 10,92% em média –, mas está longe dos mínimos do ano, á semelhança do índice de referência.

O produto da Franklin Templeton é o mais pequeno no conjunto dos três, com apenas 268 milhões de euros. O fundo da Schroders atinge os 922 milhões de euros e o da Pictet 1 682 milhões de euros.

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Franklin Japan I Acc USD

Com os ativos concentrados em ações de empresas large-cap japonesas, este fundo, gerido por Stephen H. Dover e Purav A. Jhaveri, apresenta um estilo relativamente bem distribuído entre value e growth. O portefólio é bastante diversificado e sobre-pondera os sectores industrial, de consumo cíclico e tecnológico. Apesar de ser um fundo de ações, a política de investimento permite que a gestão aproveite oportunidades em outros instrumentos financeiros, como ações preferenciais, obrigações convertíveis em ações e dívida corporativa e soberana, em yenes ou moeda estrangeira.

Pictet-Japanese Equity Opps I JPY

O objetivo do fundo passa por proporcionar aos investidores a oportunidade de beneficiar do crescimento do mercado de ações japonês, maximizando o retorno total em termos de yenes. A gestão procura maximizar o potencial de geração de alpha através de uma política 130/30, ou seja, até 130% de posições longas contrabalançados com 30% de posições curtas. No final do terceiro trimestre de 2015, o fundo apresentava 91 posições longas e 2 posições curtas. O estilo de investimento (na parte longa do portefólio) mostra uma clara inclinação para ativos de elevada capitalização de mercado, distribuído entre os estilos value ou growth. Cerca de 26% do portefólio está exposto a ações de empresas de média capitalização de mercado. Os sectores de consumo cíclico, tecnológico e industrial são predominantes na carteira. A responsabilidade da gestão é repartida entre Serena Robinson, Adrian Hickey, Sam Perry, Go Shiina e Takeshi Suzuki.

Schroder ISF Japanese Opp A1

Ken Maeda é o homem ao leme deste fundo que tem como objetivo a apreciação de capital através do investimento em ações de empresas large cap japonesas, definidas como as empresas que à data de aquisição faziam parte das 90% maiores por capitalização de mercado. Este critério difere do definido pela Morningstar, que na sua plataforma mostra, à data de fecho de 2015, uma alocação de cerca de 30% e 34% a ações de empresas de pequena e média capitalização de mercado, respetivamente. Com 92 posições em carteira, o estilo é orientado para ativos ‘value’, ou seja, com elevado valor intrínseco, e sobrepondera os sectores de consumo cíclico e industrial.

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