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Os cinco anos do Dunas Património


Há vários períodos marcantes na vida de um fundo. O primeiro ano de track record marca a demonstração inicial ao mercado das potencialidades de uma estratégia. Os três anos, por seu lado, são para muitos investidores o mínimo indispensável para comprovar a estabilidade não só da estratégia como da equipa e da estrutura. Mas é aos cinco anos que um fundo consolida verdadeiramente o seu processo e filosofia e se apresenta ao mercado com um histórico onde está patente a sua resiliência e consistência. Em setembro deste ano foi precisamente assinalado o quinto aniversário do fundo multi-ativos flexível da Dunas Capital, o Dunas Património. Cinco anos em que a equipa composta por Pedro Fernandes, Pedro Alves e Bernardo Moreira aplica uma estratégia de alocação de ativos global, líquida, flexível e com uma abordagem de valor relativo num fundo que tem cumprido com a sua proposta de valor a médio-prazo.

“Rentabilidade positiva em qualquer contexto de mercado em períodos alargados” é exatamente aquilo a que se propõe a equipa da Dunas Capital e isto reflete-se num retorno cumulativo a três anos sistematicamente positivo, que se consolida em 4,8% anualizados desde o lançamento, com uma volatilidade anualizada de 7,86%.

Contudo, apesar de flexível na sua gestão, existem limites legais na medida em que se trata de um Fundo harmonizado. A política de investimentos obriga a uma alocação mínima de 50% a obrigações, uma exposição máxima de 50% a ações, 25% a mercados emergentes e 30% de exposição cambial. Todos estes limites são controlados a três níveis na estrutura de gestão do fundo: pelo investment manager, a Dunas Capital, pela entidade gestora, a ADEPA, e pelo custodiante, o KBL

Alocação flexível

Em conversa com a Funds People, a equipa de gestão do fundo coloca uma significativa ênfase na flexibilidade: “Até há pouco tempo a carteira apresentava uma duration negativa, mas estamos marginal e taticamente positivos de momento”. Falam de uma duration que se aproxima do um ano, num movimento que não é de longo prazo, mas sim com um enfoque tático no curto prazo,  focado nos Estados Unidos e na próxima reunião do BCE. “Este posicionamento tem que ver com os movimentos recentes do mercado e com a nossa perspetiva de valor relativo. As ações norte-americanas parecem-nos caras e em termos relativos os treasuries conferem-nos não só uma yield interessante, mas também alguma proteção. Não vemos mais nenhum ativo que com este grau de risco e liquidez proporcione retornos acima de 2% e permita dormirmos tranquilos. Vemos imensos factores estruturais a dificultar uma subida significativa da inflação e a FED ainda enfrenta algumas dificuldades em perceber as recentes dinâmicas de mercado. Neste sentido vemos as taxas a subir muito lentamente e acreditamos que teremos provavelmente taxas terminais bastante mais baixas no final deste ciclo”, explica a equipa de gestão do fundo. Já os mercados de crédito e em particular o segmento de high yield são para a equipa os que mais desajustados estão devido às intervenções dos bancos centrais. “Quanto podemos ganhar investindo em crédito? Pouco! Quanto podemos perder se começar a correr mal? Muito! É uma relação assimétrica altamente desfavorável”.

Como investidores de longo prazo, as carteiras apresentam uma certa estabilidade. No entanto como fazem uma gestão ativa da duration, a carteira apresenta uma rotatividade significativa e o maior contributo para esta dinâmica resulta do segmento de obrigações. “Onde rodamos mais a carteira é nesta porção do portefólio, especialmente em ativos muito líquidos como os treasuries ou os bunds, que apresentam custos de transação extremamente baixos”, comentam.

Alocação a ações em mínimos

No segmento de ações a alocação é repartida em dois segmentos. Um segmento core, construído com futuros ou ETFs sobre os índices – mais tático e flexível – e um segmento de elevada convicção, em que apostam num stock picking diversificado e suportado por teses de investimento temáticas.  “Vemos sectores em que o mercado se mostra um bocado ‘esquizofrénico’. No retalho, parece que o mercado acredita que a Amazon vai tomar conta do mercado. No sector automóvel, a ideia é de que a Tesla vai vender todos os carros do mundo em alguns anos. Como acreditamos que tal não é verdade, investimos no sentido de tirar partido das oportunidades de mercado”, esclarecem. Nas suas preferência encontramos também bancos, “especialmente europeus”, e farmacêuticas.

Não obstante, a alocação a ações encontra-se perto dos mínimos (27,4% a final de Setembro), especialmente na exposição via índices e em particular ao mercado norte-americano, em resultado da cotação a níveis historicamente altos dos mercados de ações. “Não somos contrarians, mas acabamos naturalmente por comprar com os mercados a cair e vender com os mercados em subida. Fazemo-lo de forma muito gradual e não temos a pretensão de comprar no mínimo e vender no máximo”, comentam. Fora dos mercados desenvolvidos da Europa e América do Norte, o fundo apresenta também posições mais marginais em crédito e ações do Japão e mercados emergentes como a China, Brasil e México. Nestas geografias a moeda acaba por ser, para a equipa da Dunas Capital, parte integrante da tese de investimento: “Se acreditamos no potencial de um país emergente, a moeda é parte integrante desse potencial”.

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