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“Os benchmarks falham não só a capturar as melhores oportunidades, mas também a evitar riscos desnecessários”


Uma história interessante com caraterísticas de risco e retorno atrativas, que está a crescer a um ritmo acelerado em todo o mundo. É assim que Daniel Moreno, head of global emerging market debt da Mirabaud, e um dos oradores na 3ª edição da Funds Talks, define aquilo que a classe de ativos de dívida de mercados emergentes tem para oferecer. Para o especialista, o elevado grau de longevidade é, para além disso, assegurado pelas perspetivas fundamentais positivas de longo prazo deste universo de ativos.

Em entrevista à Funds People Portugal, o profissional relata que estes são alguns dos critérios que justificam o investment case no fundo Mirabaud – Global Emerging Market Bond Fund, mas a estes argumentos Daniel Moreno junta mais um: no contexto do fixed income global, a dívida de mercados emergentes “continua a ser uma oportunidade de investimento altamente atrativa com potencial não só para elevados níveis de rendimento mas também de valorização de capital”.

Numa perspetiva holística, que integra uma abordagem unconstrained, tanto do lado da moeda forte como da moeda local, o fundo propõe-se a capturar algumas das melhores oportunidades de investimento dentro do universo emergente, com um “retorno ajustado ao risco superior a longo prazo”. A flexibilidade na moeda estende-se também ao tipo de dívida em que investem: abordam tanto a parte corporativa como a soberana. Algo na sua opinião distintivo, que dá ao fundo o que apelida de um “grau incomparável”, em vários sentidos.

Por um lado a flexibilidade proporcionada permite “tirar vantagens das oportunidades idiossincráticas quando elas surgem”, posicionando-se numa base de equilíbrio entre o risco e retorno. Junta a esta caraterística a “diversificação” entre regiões e tipos de risco, mas ainda a eficiência, a descorrelação e a liquidez. Ao nível da eficiência, em específico, fala de um “mix entre investimentos de elevada convicção com investimentos táticos que dependem das condições de mercado”.

Com o objetivo de entregar, em média, um retorno anualizado de entre 5% e 7% em dólares, com uma média de volatilidade de 5%, o produto vive de uma “abordagem dinâmica que se pode adaptar aos desafios atuais e futuros da classe de ativos, onde se podem entregar maiores retornos ajustados ao risco”. É nesse sentido que recusa a ditadura de um índice de referência. “Os benchmarks falham não só a capturar as melhores oportunidades, mas também a evitar riscos desnecessários”, atesta Daniel Moreno.

Bottom-up e top down

O processo de investimento do produto reflete algumas das caraterísticas atrás anunciadas. O responsável da Daniel MorenoMirabaud aponta dois pilares primários onde assenta o processo de investimento do produto:  a macroeconomia fundamental e a análise política. “Combinamos uma abordagem top down global macro, com uma análise bottom-up centrada nos países”, explica Daniel Moreno, que realça que esta metodologia “assegura que o processo incorpora tanto as dinâmicas de risco global, como as idiossincrasias da seleção de países e moedas”. Pontualiza: “Isto é chave para perceber os drivers da performance”. Deste processo sai uma base “para a geração de ideias entre regiões, classes de ativos, e tipos de risco (crédito, moeda e taxas de juro). A construção do portefólio assegura que os riscos são distribuídos entre as diferentes oportunidades de investimento tendo por base o framework de gestão de risco”.

A gestão de risco é uma das partes essenciais da gestão do portefólio. Sendo a “dívida de mercados emergentes uma classe de ativos complexa que está exposta a uma maior volatilidade e a  uma liquidez mais diminuta, a gestão do risco é uma parte integrante do processo de investimento”. De forma a cumprir com os objetivos do fundo, Daniel Moreno especifica que “combinam estritos limites ao nível das emissões, moedas e países, com um framework value-at-risk” que vá ao encontro dessas expectativas.

Brasil: grande potencial

Dando nomes às convicções anteriormente descritas, o Brasil surge, do ponto de vista dos países, com “o potencial para entregar a taxa de crescimento mais elevada dos próximos anos”. O governo recentemente eleito, atesta Daniel Moreno, “tem uma agenda reformista ambiciosa, e entregar tudo o que é proposto ou parte disso irá traduzir-se num vento de feição para os ativos brasileiros”.

Também a dívida local russa ganha especial lugar de destaque nas palavras do profissional. Esta beneficia “das avaliações baratas do mercado e extremamente fortes fundamentais, com superavits tanto comerciais como orçamentais”. Fatores que se conjugam com o facto da inflação se manter “num nível relativamente baixo”, o que oferece aos investidores “elevados níveis de taxas de juro reais”. Apesar dos desafios políticos e económicos que se têm interposto à Turquia, o país também entra nesta lista de “favoritos” do profissional, e merece-lhe uma referência. Daniel Moreno atesta que o país continua a estar entre as oportunidades que figuram no leque de melhores caraterísticas de risco e retorno, particularmente no crédito em moeda forte de primeira linha, tanto soberano como corporativo.  Um país que, para o profissional, “tem as ferramentas para lidar com os obstáculo do atual contexto económico”.

Em linha com os objetivos do fundo que já foram preconizados em cima, o produto entrega um retorno, desde o início do ano, de perto de 6% em dólares, com uma volatilidade inferior a 5%.

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