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"Os bancos centrais jogam a favor das estratégias de volatilidade"


As autoridades monetárias não gostam de volatilidade do mercado. Isto é especialmente evidente no caso do Banco Central Europeu (BCE). Quando a volatilidade chega, os bancos centrais actuam. Essa é a principal razão pela qual Hatem Dohni, gestor na CCR Asset Management, boutique pertencente a UBS Global Asset Management , considera que comprar volatilidade quando está baixa e vender quando está em níveis elevados é uma estratégia bem-sucedida. "Os bancos centrais jogam a favor das estratégias de volatilidade", diz o especialista.

 Numa apresentação realizada em Madrid, Dohni mostrou-se convencido de que "a intervenção dos bancos centrais ocorre quando a volatilidade do mercado está em níveis elevados. O seu objectivo é reduzi-la". Segundo explica o gestor, "no momento em que o presidente do BCE, Mario Draghi, diz que não gosta da instabilidade nos mercados, também diz que vai agir. O BCE não pode perder o controlo da situação e, se o fizer, voltaríamos a uma situação muito semelhante à vivida em 2008 ".

 

 Para a gestora, "em conjunto com as tradicionais fontes de retorno – acções, obrigações e crédito – a volatilidade é agora considerada um activo que oferece novas oportunidades de investimento e um conceito inovador de gestão de carteiras". As estratégias de volatilidade deveriam ser, de acordo com Dohni, uma parte ‘core’ das carteiras. "Quando se pretende construir uma carteira defensiva, compra-se obrigações alemãs, suíças, ouro... Nós comprovámos que a volatilidade é uma classe de activo que permite uma boa cobertura em períodos de ‘stress’ dos mercados”, afirma.

Uma estratégia deste tipo é particularmente interessante num momento como o actual em que, de acordo com Dohni, as acções acumulam fortes ganhos e ganhar dinheiro em obrigações torna-se muito difícil depois do anúncio da Fed relativamente ao fim do programa de flexibilização monetária. O vega, que mede a sensibilidade do fundo perante uma subida de um ponto da volatilidade, desempenha um papel muito importante. "Em períodos de alta dos mercados, por exemplo, o vega é menor com o objectivo de reduzir o impacto de uma menor volatilidade no mercado".

O fundo gerido por Dohni está sempre longo em volatilidade. "Em períodos em que esta é baixa, aproveitamos para comprar volatilidade. Quando é alta, vendemos. Seguimos uma estratégia contrária", indica. A equipa da CCR AM implementa estratégias direccionais seguindo um rigoroso processo de investimento, que passa em primeiro lugar por analisar quais os níveis de volatilidade actuais, em segundo por implementar as estratégias e, finalmente, gerir o risco. A exposição a vega está entre 1% e 7%, dependendo da visão da equipa gestora.

Para tentar buscar aproveitar as oportunidades criadas pelo alargamento ou estreitamento dos ‘spreads’ de crédito, a gestora suíça também tem um fundo de obrigações que investe em dívida dos Estados Unidos e Europa, tanto ‘high yield’ como ‘investment grade’, com a particularidade que, em vez de investir em obrigações de empresas concretas, aposta no investimento em índices. Cerca de 32% da carteira está investida nos Estados Unidos, 12,5% no Reino Unido e 12,1% em França. Por sectores, consumo cíclico (20%), comunicações (18,7%) e bens de consumo cíclico (14,2%) ocupam a maior parte da carteira.

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