Os bancos centrais intervêm para salvar os fallen angels das obrigações


Os bancos centrais reiteraram uma vez mais o seu compromisso com a estabilidade dos mercados financeiros. Nas últimas semanas o foco situou-se em travar o impacto da onda de descidas de rating no crédito a nível global que inevitavelmente vai resultar da atual recessão económica. Na passada quinta-feira, o Banco Central Europeu anunciou que iria flexibilizar a sua norma para aceitar as obrigações fallen angels (as que perderam o seu rating de investment grade) como colateral da banca. As obrigações válidas devem ter ostentado um rating de investment grade no fecho do passado dia 7 de abril.

É um movimento semelhante aquele adotado pela Reserva Federal norte-americana para acolchoar o impacto nas obrigações high yield, ainda que esta os tenha incluído diretamente no seu programa de compra. Já se especula que o BCE também vai abrir a porta a estes fallen angels na lista de ativos aprovados para o QE na sua reunião desta semana.

Novamente, é uma medida focada em melhorar a liquidez do mercado e, como referem na Fidelity, procura limitar o risco financeiro causado por uma onda de descidas de rating na dívida soberana à medida que as nações acumulam uma dívida massiva para lidar com a pandemia.

É uma resposta fora do calendário de encontros oficiais e tem um claro objetivo, segundo identificam várias gestoras: Itália. O anúncio chegou às portas da revisão da dívida italiana por parte da agência S&P Global Rating. À data da passada quinta-feira, o país permanecia dois escalões acima de investment grade ainda que com perspetiva negativa. “Mas a contínua falta de acordo na Europa sobre repartir a carga financeira através de instrumentos como os coronabonds provavelmente avivou os medos da crescente dívida italiana, o que está a impactar os preços das obrigações high yield”, explicam na Fidelity. Consequentemente os nervos deixaram-se notar nos últimos dias pela forma como alargou o spread entre os 10 anos italianos e o seu homólogo alemão.

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 O mercado não espera para reagir

Esta onda de anjos caídos é própria de todas as crises e desta vez os mercados não esperaram para pôr um preço no impacto. Segundo Álvaro Cabeza country manager da UBS AM para a Península Ibérica, muitos dos candidatos negoceiam já em níveis de high yield. “No fim de março, as empresas europeias que esperávamos que se tornassem em fallen angels negociavam a 460 pontos base, em linha com rating BBB e BBB- que negociavam a 360 pontos base em janeiro deste ano”, conta.

Segundo estimativas da UBS AM, o mercado de high yield da Europa vai aumentar cerca de 50%, enquanto nos Estados Unidos o aumento será pouco mais 25%. “Ainda que se preveja que o número absoluto de fallen angels na Europa seja inferior ao dos EUA, se compararmos o tamanho dos respetivos mercados de high yield, é de esperar que o impacto das descidas na Europa seja maior”, explica. Algo semelhante já aconteceu durante a crise financeira global, a crise creditícia da zona euro e durante o colapso do preço do petróleo de 2014/2015.

Como com todos, os movimentos rápidos de mercado surgem oportunidades. Na UBS AM veem valor no investment grade dos EUA e da Europa, já que são um segmento de mercado apoiado por programas de compra direta de obrigações dos bancos centrais e as valorizações parecem atrativas. Preferem high yield de curta duração dos EUA devido às compras de ETF de high yield por parte da Fed, com um viés para ao segmento de maior qualidade do mercado que beneficia diretamente das compras de obrigações do banco central. E, por último, o high yield da Ásia, em concreto empresas chinesas apoiadas pelo governo chinês.

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