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Os ativos geridos com critérios ISR aumentam 34% no mundo: que estratégias impulsionam este crescimento?


O Investimento Socialmente Responsável (ISR) deixou de ser uma moda para se tornar numa autêntica tendência e isso nota-se pelo número de ativos geridos de uma forma responsável, que não parou de crescer nos últimos anos, não só na Europa, que há anos que lidera este tipo de investimentos, como também no resto do mundo. Uma prova disso é que segundo o último Estudo Global sobre investimentos sustentáveis que a associação internacional SIFs realiza bianualmente, os ativos gerido sob estratégias de investimento sustentável, nos cinco mercados mais avançados (Europa, EUA, Japão, Austrália e Canadá), ascenderam aos 30,7 biliões de dólares americanos em 2018, o que implica um crescimento de 34% segundo os últimos dados disponíveis correspondentes a 2016.

Mas que tipo de estratégias ISR são as que estão a crescer mais? Se há anos o investimento em ISR estava simplesmente ligado ao que se denominam critérios de exclusão ou, o que é o mesmo que não investir em indústrias polémicas como as armas, o tabaco ou o álcool – o que explica que 64% do investimento socialmente responsável corresponda ainda a este critério -, nos últimos anos estes critérios estão a dar lugar a outras estratégias que se tornam muito mais inclusivas como a integração dos critérios ASG, o investimento de impacto, a escolha positiva dos best in class de cada sector ou o investimento temático. Em concreto, o crescimento anual de cada uma das estratégias esteve entre os 30% e os 92% anuais.

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Muda a forma de investir em ISR e muda também a composição por regiões deste tipo de investimentos. Apesar de esta estar a crescer em todas as regiões analisadas, nota-se a diferença face a anos anteriores, não na Europa mas fora dela, onde se regista maior crescimento. Isto demonstra que o ISR deixou de ser um assunto europeu para se tornar algo cada vez mais global. Assim, os maiores crescimentos veem-se em regiões como o Japão, onde este tipo de estratégias cresceu mais de 300% em termos anuais suportadas sobretudo pela decisão dos dois grandes fundos de pensões do país terem adotado este tipo de estratégias e pela importância que cada vez mais as empresas dão à implementação de boas práticas nos seus governos corporativos.

Dados que contrastam com o crescimento sentido na Europa de apenas 6% devido, segundo aponta o relatório, à maior regulamentação sobre esta matéria enquanto a definição estrita que têm de cumprir os investimentos para serem considerados socialmente responsáveis. Isto, não obstante, não impede que o Velho Continente continue a ser líder no ISR no mundo já que monopoliza cerca de 50% desses 30 biliões de dólares que são geridos com este tipo de critérios e 48% de todos os ativos sob gestão da região.

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O aumento da oferta de investimento ISR vai acompanhada também por um crescimento da procura dos investidores e não só por parte dos investidores institucionais como também dos retalhistas.

De facto, a percentagem de ativos ISR nas mãos de investidores retalhistas passou a representar 18% dos 25% total e não é de estranhar tendo em conta que cada vez são mais os estudos que apontam para um aumento do interesse por parte dos investidores mais “retail” que já não querem só gastar o dinheiro mas também contribuir para o bem estar social numa altura em que este tipo de investimentos começa a demonstrar a ideia de que este tipo de investimentos é menos rentável está errada.

Mais ISR nas ações

 E como não há dois sem três, também se viu uma grande mudança a respeito do investimento socialmente responsável por tipo de ativo. No ano de 2016, 64% dos ativos geridos com critérios ISR estavam em obrigações e apenas 33% em ações. Agora essa diversificação que tanto defendem os especialistas no momento de compor a carteira em tempos difíceis, também chegou a este sector da indústria da gestão de ativos, já que 51% do ISR está agora em ações, comparativamente aos 36% em obrigações e até se começa a ver a inclusão deste tipo de critérios em investimentos como o sector imobiliário ou o capital de risco, com 3% do total.

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