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Os 10 fatores que terão mais impacto na gestão de ativos e patrimónios


A Ernst & Young publicou um relatório com os dez fatores que terão mais impacto na gestão de ativos e de patrimónios, onde, para além de os explicar, oferece uma visão do que será o futuro e a direção que as empresas terão que tomar para obter sucesso, num mercado cada vez mais competitivo. A consultora observa que a indústria de gestão de ativos e de patrimónios continua a crescer, em particular, devido à recuperação dos mercados desenvolvidos, pelo que veem as FinTech não só como a maior oportunidade, mas como uma ameaça para o futuro da indústria. Neste sentido, é necessário perceber quais são esses desafios e onde se encontram as oportunidades para que os obstáculos sejam ultrapassados e os modelos de negócio se adaptem com sucesso às novas realidades.

1. É necessário “encarar a disrupção como uma oportunidade para inovar e triunfar”, diz a consultora no relatório The top 10 drivers impacting global wealth and asset management. Esta disrupção está associada à introdução de um novo paradigma no mercado, “impulsionado pelas FinTech, robo-advisors, blockchain e a robótica”.

Os especialistas da EY acreditam que o investimento proporcionado pelas FinTech terá um crescimento bastante acelerado, “focado, em primeira instância, na interface com o cliente, em aumentar a eficiência e a automatização dos serviços operacionais, aumentando, também, a transparência”. Assim, segundo o relatório da entidade, o futuro passa por “oferecer uma interface digital ao cliente, que seja altamente interativa, ou, pelo menos, com algum grau de automatização”. Acrescentam, ainda, que “a tendência para o aconselhamento financeiro automatizado está a alterar as expectativas de um vasto grupo de investidores, independentemente do seu nível de património”. Resumindo: uma força de trabalho virtual robotizada transformará a forma como as organizações gerem os dados, operam e interagem com os clientes.

Por outro lado, a tecnologia que sustenta o blockchain é vista como uma oportunidade para modernizar e transformar a forma como as empresas de gestão de ativos lidam com determinadas tarefas, como pagamentos, custódia, clearing ou settlement da maior parte das transações financeiras.

2.  As empresas “devem intensificar a segurança cibernética, criando sistemas mais bem preparados para proteger a confiança dos clientes em caso de ataques informáticos". Uma forma de o fazer é testando a própria segurança cibernética, recorrendo a simulações de tentativas de ataques informáticos. Estes testes possibilitam a identificação de falhas no sistema, e a consequente elaboração de programas para agir no caso de ataques. Por outro lado, a cobertura dos seguros disponíveis para este tipo de situações deve ser analisada.

3. A preparação e gestão de eventos de liquidez é essencial. No contexto de mercado atual, num ambiente de baixas taxas, verifica-se uma alteração no apetite de risco e na forma como é feita a alocação das carteiras. Se por um lado as empresas podem crescer atendendo à procura de risco no segmento do mercado de fixed-income, por outro, devem “assegurar um sistema de risco de liquidez sólido”, afirmam os especialistas da EY.  “A implementação de sistemas e processos de gestão de risco adequados, com especial atenção ao cenário de testes de stress, validação de modelos e qualidade da avaliação independente dos dados, trarão confiança e clareza tanto aos investidores como aos reguladores”, concluem.

4. Uma conduta socialmente responsável será fulcral. Nos últimos anos as atenções têm vindo a centrar-se não só na conduta das empresas relativamente aos seus clientes, mas também na sua conduta relativamente ao risco. Assim, de forma a cumprir estes pontos, as empresas devem “compreender a legislação atual, de que forma funciona e, ao mesmo tempo, criar e implementar um sistema eficaz de conformidade global”. No panorama europeu, a MiFID II veio tornar este ponto crucial, uma vez que fará com que as empresas sejam forçadas a “implementar medidas de proteção ao investidor, melhorar a transparência dos seus relatórios e, mais do que tudo, banir as retrocessões”.

5. “Salvaguardar o compromisso, bem como a determinação de investir, e assegurar um crescimento sustentável a longo-prazo, que irá acrescentar valor a todos os stakeholders”. Os especialistas da EY destacam a mudança no paradigma de investimento das novas gerações. “As caraterísticas demográficas dos investidores têm evoluído para uma abordagem de investimento que privilegia o investimento com um propósito”, ou seja, “investimentos focados no desenvolvimento sustentável e em atividades socialmente responsáveis, de forma a criar um legado para as futuras gerações”, concluem.

A presença nos mercados emergentes poderá ter que ser revista. “Depois de um ano que ficou marcado pela volatilidade existente no mercado de ações na China, Rússia e outras economias em desenvolvimento, a alocação a mercados emergentes restringiu-se”, destacam os especialistas. “Estas economias globais estão, desde 2012, não só a passar por uma cíclica desaceleração económica, mas também por uma inversão de ciclo desde há 20 anos, durante o qual se registou um crescimento de entradas líquidas de capital”, acrescentam. Contudo, a presença nestes mercados não deve ser totalmente ignorada, especialmente no mercado chinês, “que devem manter na sua estratégia a longo prazo”.

6. O sexto factor está relacionado com o quarto ponto – é necessário “reconhecer o interesse crescente em fatores que vão para além do binómio risco-retorno, e procurar satisfazer a procura por investimentos com propósito”. Os especialistas concluíram que esta classe de produtos “é um dos segmentos da indústria que mais cresceu nos últimos anos, em especial nos Estados Unidos e no Reino Unido”.

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7. O principal foco do modelo de negócio não deverá ser exclusivamente o produto, mas sim a oferta de experiências com impacto nos clientes, sendo essencial a criação de uma identidade de marca. Esta é a conclusão do sétimo ponto do relatório elaborado pelos especialistas da EY. Os clientes devem sentir que estão a ser aconselhados por alguém em quem confiam, com quem mantêm uma relação há vários anos, “para alcançarem os seus objetivos a longo prazo”. No futuro “a criação de valor estará fortemente dependente da experiência do cliente, bem como da capacidade da empresa para se integrar na vida digital e em constante ligação, e atender aos seus principais valores e preferências”, destacam os especialistas.

8. Simplificar a proposta – este é o mote que dá origem ao oitavo ponto do relatório. “Para todos os constituintes inseridos no ciclo de vida do produto, o caminho será em direção a uma maior simplicidade”, afirmam os especialistas. De facto, o crescimento de classes de produto como ETFs ou as plataformas de aconselhamento que têm por base o robot advisor deve-se a uma procura cada vez maior por produtos e serviços que os investidores conseguem compreender.

9. No nono ponto, destacam o aproveitamento da tecnologia (e dos dados) não só para uma maior eficiência estratégica, mas também para potenciar o crescimento. A utilização da análise de clientes, através do big data, é um dos elementos que mais pode contribuir para o crescimento da empresa. “À medida que as empresas utilizam o potencial do big data e da análise de clientes, segmentando as mensagens e os seus serviços, ajustando, ao mesmo tempo, o conjunto de produtos, poderão aumentar a sua distribuição”.

10. A crescente complexidade do reporte fiscal é um dos desafios que se colocam às empresas. Esta é a conclusão do décimo e último ponto do relatório. “A conformidade tornou-se um processo altamente complexo, que é realizado durante todo o ano”, destacam os especialistas. Assim, será necessário a criação de um sistema global de processamento de reporte fiscal que seja consistente e eficiente, “suportado pelas ferramentas apropriadas para a atividade local e por uma supervisão centralizada”, acrescentam.

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