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Optimize IP: “O mercado obrigacionista apresenta alguns condicionamentos e algumas oportunidades”


(Perspetivas para 2019, traçadas por Carlos Pinto da Optimize Investment Partners)

Incerteza, o termo que melhor descreve e justifica o pessimismo observado ao longo do ano de 2018. As temáticas da Guerra Comercial, aumento de movimentos populistas na Europa e a subida das taxas de juro nos EUA, têm suplantado a robustez dos dados económicos. De facto, todas estas ondas de incerteza têm condicionado a confiança das empresas na implementação de novos projetos, essencialmente devido a todos estes riscos geopolíticos. Esta instabilidade tem ofuscado os excelentes dados fundamentais, nomeadamente relacionados com o crescimento da economia global, e o elevado crescimento dos resultados empresarias.

No próximo ano, a normalização da política monetária pelos principais bancos centrais e a guerra comercial vão ser os temas dominantes, com a volatilidade observada neste ano, a prometer continuar e até acentuar perante os avanços e recuos de todas estas temáticas que se encontram por clarificar.

Nos EUA, para atenuar o pessimismo originado pelas tensões comerciais com a China e pelo badalado abrandamento económico para o próximo ano, o presidente da FED J. Powell referiu que a taxa de juro está próxima do nível neutral, perspetivando uma suavização do ciclo de subidas. Esta medida permite aliviar o custo da dívida, principalmente das empresas e países com exposição a emissões americanas e ainda estabilizar a flutuação do dólar. Assim, e segundo as últimas indicações, a FED deverá implementar apenas 2 subidas na taxa de juro diretora ao longo do próximo ano até ao nível 3%.

Na Europa, a normalização vai iniciar com o término do plano de compras mensais no final do ano transato, o início da subida da taxa de juro diretora ocorrerá em meados de 2019. O Brexit está agendado para 29 março de 2019, apesar da proximidade da data, as indefinições persistem entre um acordo, um não acordo, mais recentemente surgiu a possibilidade de um no-brexit. Em Itália, o atual governo já começou a ceder, todavia persiste no incumprimento das metas europeias na elaboração do seu orçamento.

O Japão enfrenta um abrandamento nas suas exportações, porém, o baixo endividamento das empresas e valorizações atrativas das suas ações face às europeias e americanas, apresentam-se mais interessantes numa conjuntura de subida das taxas de juro.

Os mercados emergentes foram bastante penalizados pela política mais agressiva da FED ao longo do último ano, contudo, perante as expetativas da autoridade monetária americana em abrandar o seu ritmo de subida de taxas de juro, deverão beneficiar de um alívio no custo dos seus endividamentos e suavização da apreciação do dólar. Prosseguimos muito confiantes no potencial deste mercado, principalmente na Asia, com as empresas apresentarem valorizações bem atrativas e crescimento económico elevado. O posicionamento destes países na revolução tecnológica tem vindo aproximar-se dos países desenvolvidos, intensificados pela regulação da proteção de dados ser mais leve que nos países desenvolvidos.

Mais especificamente, a India fruto da reforma estrutural implementada nos últimos anos, exibe-se como sendo a que ostenta o maior crescimento no mundo, com o seu PIB a incrementar 8.2% ao ano. Adicionalmente, beneficia de uma demografia rejuvenescida, qualificada e ainda por uma forte migração das zonas rurais para as maiores cidades, implicando grandes investimentos em infraestruturas.

Nesta conjuntura, nas ações encontramos algumas oportunidades, particularmente na indústria automóvel europeia. Transacionam em múltiplos baixos após um ano assombrado por serem um dos principais alvos das políticas protecionistas americanas. Contudo, consideramos que esta indústria foi castigada em demasia e acreditamos no potencial principalmente nas empresas melhor preparadas em responder aos desafios da transformação elétrica e automação. Na indústria financeira, principalmente nas empresas que manifestem melhor capacidade de integrar nas suas linhas operativas todas as valências promovidas pelo Big Data e pela Inteligência Artificial, sendo estas, inevitavelmente as vencedoras desta era disruptiva. Adicionalmente, o perigo de uma nova crise financeira está fora do nosso cenário central, visto que as instituições financeiras são atualmente muito mais reguladas, apresentam rácios de capital bem mais fortalecidos e estão sujeitas a um maior controlo nas concessões de crédito que realizam. Por fim, numa abordagem preventiva de início de um ciclo recessivo, posicionamo-nos também em setores mais defensivos como por exemplo as utilities.

O mercado obrigacionista apresenta alguns condicionamentos e algumas oportunidades. A reversão das políticas acomodatícias por parte dos principais bancos centrais vai ser o tema central, sendo que a FED deverá abrandar o ritmo durante o ano de 2019. Na Zona Euro o início da subida da taxa de juro diretora ainda é uma incógnita, no entanto não deverá acontecer antes do verão, provavelmente no último trimestre.

Nesta classe de ativos, estamos mais positivos em obrigações empresariais americanas de médio prazo com elevada qualidade creditícia por aliarem a segurança a um rendimento mais próximo dos níveis de crescimento e à Dívida Emergente principalmente nas emissões em moeda local. Na Europa, a evolução da dívida italiana deve ser seguida ativamente ao ritmo e condicionada a uma maior clarificação da sua encruzilhada política. Ainda na Europa temos preferência por durações mais baixas. Em suma, o nosso posicionamento está direcionado num estreitamento de spreads entre as Treasury e as Bunds.

No rescaldo de um dos anos mais negativos, onde praticamente todas as classes de ativos fecharam com performances negativas, é imperativo e essencial assumir uma abordagem racional e manter a convicção no poder da diversificação, da flexibilidade e do longo prazo no processo de investimento. Respeitar o horizonte temporal idealizado é fulcral para que várias ideias de investimento atinjam o seu valor, permitindo ultrapassar as várias tempestades que vão atormentando todos os ciclos de investimento.

O Optimize Investimento Activo, pelo seu posicionamento ativo e flexível na resposta aos desafios e oportunidades impostas pela conjuntura económica e diversificado na composição dos seus ativos está bem posicionado para aproveitar das baixas valorizações de partida do mercado acionista para o próximo ano.

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