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Oferta e procura de crédito favoráveis em 2020


(TRIBUNA de Martha Metcalf, gestora de carteiras de obrigações, da Schroders. Comentário patrocinado pela Schroders.)

Em 2019, os mercados de crédito mundiais desfrutaram de um ano bom em termos de rentabilidade total. Tanto o segmento de Investment Grade como o de High Yield registaram ganhos de dois dígitos. Entramos no ano de 2020 com spreads de crédito bastante elevados. Tanto os spreads globais de Investment Grade como os de High Yield mantiveram-se fora das médias do ciclo. Tendo em conta o número de riscos macroeconómicos, geopolíticos e fundamentais, acreditamos que existem oportunidades para surpresas positivas e, em consequência, pouco espaço para uma maior redução das margens. Os investidores têm estado a ampliar o espetro de risco durante os últimos anos, o que resultou em spreads mais ajustados para ambos os índices, mesmo no contexto de uma recessão da indústria transformadora, lucros mais fracos e volatilidade da política comercial. Em termos de rentabilidade, esperamos um ano mais tranquilo do que 2019, com retornos impulsionados sobretudo pelo pagamento de cupões ou juros.

O contexto geopolítico mundial, muito provavelmente, continuará a impulsionar a volatilidade em 2020. A incerteza persiste em várias partes do mundo. Vemos que o crescimento dos EUA atingirá o ponto mais baixo entre 1,4 e 1,8% em 2020, uma vez que a despesa dos consumidores e o emprego se mantêm firmes e as preocupações com uma recessão impulsionada pela indústria transformadora ou o investimento são demasiado pessimistas. Não é provável que a Reserva Federal corte mais nas taxas de juro, a menos que ocorra uma alteração substancialmente negativa, pelo que os rendimentos do Tesouro podem subir nos próximos trimestres. A nível mundial, acreditamos que o crescimento pode começar a aumentar modestamente, impulsionado pelo apaziguamento das tensões comerciais e por condições financeiras mundiais mais favoráveis, que ajudarão os mercados emergentes a tornar-se um contribuinte fundamental do crescimento mundial.

No conjunto, as métricas do crédito de grau de investimento (Investment Grade) deterioraram-se. A alavancagem manteve-se muito acima dos níveis de 2008 e é elevada num ambiente não recessivo. Contudo, os níveis de liquidez são saudáveis, o que manteve a alavancagem líquida abaixo do máximo alcançado em 2001, e grande parte desta alavancagem teve lugar em setores não cíclicos. A cobertura de juros melhorou relativamente ao nível de 2008. Apesar de algumas melhorias fundamentais em vários emissores de baixa classificação BBB, acreditamos que o crescimento dos lucros, que sofreu um abrandamento nos últimos trimestres, poderá continuar a ser fraco. Na nossa opinião, os lucros irão manter-se sobre pressão se observarmos uma deterioração das margens. Esta deterioração pode dever-se a uma “desglobalização”, a uma diminuição da produtividade ou ao aumento dos custos do trabalho. As estimativas atuais de uma recuperação dos lucros em 2020 parecem demasiado otimistas.

Também no caso do High Yield, a alavancagem situa-se acima dos níveis de 2008, por uma margem considerável, com uma cobertura ligeiramente superior, mas fora dos “picos” do ciclo. Uma diferença prende-se com o facto de as empresas High Yield serem, normalmente, mais pequenas e centrarem-se no mercado nacional, estando, assim, menos expostas ao declínio da globalização. No geral, julgamos que a desalavancagem será mais difícil a nível mundial, tanto nos segmentos de Investment Grade como nos de High Yield, uma vez que o aumento dos custos do trabalho reduz as margens e a produtividade. Ainda que as taxas de cobertura sejam boas, isto comprova que os baixos rendimentos ajudaram as empresas a emitir dívida com vencimentos mais longos e cupões significativamente mais baixos.

Se nos centrarmos na oferta, no segmento de Investment Grade, esperamos que a oferta líquida seja menor no próximo ano, o que seria positivo. A emissão de dívida para financiar fusões e aquisições (M&A) abrandou e muitos dos grandes emissores focam-se mais em reduzir a alavancagem à medida que os receios de fim de ciclo aumentam. Além disso, os bancos globais sistemicamente importantes (GSIB) reduziram as suas emissões para efeitos regulamentares e esperamos que isso se mantenha.

No mercado de High Yield, pensamos que a oferta será plana. Os fatores que impulsionam os níveis mais elevados de emissão, como a percentagem de obrigações titularizadas que devem refinanciar-se, vêm-se compensados pelo abrandamento da atividade de fusões e aquisições no contexto da incerteza mundial.

Esperamos que a procura por crédito global se mantenha forte. Apesar de se ter superado picos recentemente, o valor de mercado da dívida com rendimento negativo mantém-se em níveis históricos (como se pode observar no gráfico seguinte).

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Acreditamos que isto vai levar os investidores a aumentarem o risco nas carteiras para obterem rendimentos, o que é agravado pela redução das taxas de juro e pela expansão dos balanços dos bancos centrais. Desta forma, os investidores ver-se-ão obrigados a investir em ativos de maior rendimento, como o Investment Grade e o High Yield em dólares americanos.

Para conhecer mais perspetivas para 2020, visite a nossa web.

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