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Obrigações de mercados emergentes: diversificação e perspetivas favoráveis


(TRIBUNA de Mike Brooks, Head of Diversified Multi-asset na Aberdeen Standard Investments. Comentário patrocinado pela Aberdeen Standard Investments)

A dívida de mercados emergentes é uma das classes de ativos mais amplas e com maior liquidez do mundo. A sua capitalização de mercado está estimada em 11,6 biliões de dólares, dos quais 72% seriam obrigações soberanas emitidas em moeda local*.

O índice JP Morgan GBI Emerging Market Global Diversified, que engloba dívida soberana em moeda local de 19 países em desenvolvimento, oferece uma rentabilidade média no vencimento de 6,1%, um número bastante mais atrativo do que o oferecido pelas obrigações governamentais dos mercados desenvolvidos.

Por outro lado, a qualidade do crédito média dos instrumentos que compõem o índice é de BBB, o que torna a dívida de mercados emergentes na única classe de ativos tradicional que oferece rentabilidades elevadas em termos relativos e com classificação “grau de investimento”.

As variáveis fundamentais das economias de mercados emergentes melhoraram consideravelmente nos últimos trinta anos. Em muitos casos, os governos apertaram os controlos regulamentares e financeiros, adotaram políticas monetárias convencionais e levaram a cabo reformas fiscais. Além disso, estas economias contam com o apoio do crescimento da classe média.

Os governos dos países desenvolvidos, por outro lado, gastaram demasiado na última década a tentar reativar os seus mercados através de estímulos monetários e fiscais que aumentaram os níveis de dívida, comprometendo o crescimento futuro. As tendências demográficas também não ajudam.

O crescimento está nos mercados emergentes. De acordo com as previsões do Fundo Monetário Internacional, as economias em desenvolvimento vão representar cerca de 63% do produto interno bruto mundial em termos de paridade do poder de compra em 2023.

Os emissores de obrigações de mercados emergentes têm vindo a registar taxas de incumprimento consistentemente mais baixas comparativamente aos emissores de mercados desenvolvidos. Na realidade, uma análise das rentabilidades históricas** revela que as obrigações de mercados emergentes em moeda local registaram uma volatilidade média de 7,3%, em contraste com cerca de 12,8% no caso das ações.

Ainda assim, e apesar dos diferenciais generosos oferecidos relativamente aos treasuries norte-americanos e do baixo risco de incumprimento, os investidores continuam a estar extremamente subponderados em dívida de mercados emergentes: a alocação média é de 5%*** para uma classe de ativos que concentra 25% de todos os títulos de dívida mundial.

Fonte de diversificação
A estabilização das suas economias permitiu aos mercados emergentes a emissão mais frequente de obrigações em moeda local, o que pode contribuir para reduzir a exposição a choques externos. Nos 16 meses anteriores a fevereiro de 2009, o índice MSCI World perdeu mais de cerca de 50% do seu valor, enquanto as obrigações de mercados emergentes renderam quase 19% no mesmo período**.

Não cobrimos a nossa exposição cambial. Esta é uma das principais características do prémio de risco que tentamos capturar. No entanto, não queremos estar fortemente subponderados por defeito na moeda de conta do fundo. Por isso, utilizamos contratos a prazo (Forwards) de divisas para financiar esta posição com um cabaz de seis divisas de mercados desenvolvidos (AUD, NZD, CAD, NOK, SEK, GBP) selecionadas, sobretudo, pela sua sensibilidade às condições económicas, aos preços das matérias-primas e às vulnerabilidades da sua dívida.

Desta forma, conseguimos moderar a volatilidade das rentabilidades e reforçar os benefícios que a classe de ativos acrescenta em termos de diversificação, sem que as rentabilidades esperadas sejam muito afetadas.

A expansão quantitativa posta em marcha pelos mercados desenvolvidos como resposta à crise financeira mundial de 2008 originou bolhas nos preços dos ativos que vão acabar por rebentar, mais cedo ou mais tarde. Enquanto investidores em multivativos, o nosso foco na diversificação leva-nos a investir em ativos que apresentem a menor correlação possível com os mercados desenvolvidos.

O índice JP Morgan GBI Emerging Market Global Diversified inclui emissões de 19 países de mercados emergentes, o que representa um vasto conjunto de oportunidades para diversificar por região, taxas de juro e moeda.

Perspetivas animadoras

O ano passado foi um ano complicado para as economias emergentes, que enfrentaram diversos fatores como as subidas das taxas de juro norte-americanas, a apreciação do dólar ou a deterioração das expectativas de crescimento mundial, aos quais podemos acrescentar os problemas específicos que afetaram países como a Turquia, Argentina, Rússia e África do Sul.

Apesar de tudo, o JP Morgan GBI Emerging Market Global Diversified conseguiu gerar -1,3% no conjunto do ano e uma rentabilidade positiva no quarto trimestre de 2018, quando as bolsas mundiais sofreram fortes correções. Esta situação veio destacar, uma vez mais, a resiliência e a independência da classe de ativos.

Desde então, o presidente da Reserva Federal, Jay Powell, indicou que o próximo movimento das taxas de juro norte-americanas pode ser no sentido da sua subida como da sua descida, o que sugere que a Fed normalizou, em grande medida, a sua política monetária. Esta reviravolta na postura da Fed deveria ter um impacto positivo nos mercados emergentes.

A desaceleração do crescimento norte-americano implica que o diferencial de rentabilidade com os mercados emergentes deveria começar a aumentar. Se o ciclo de subidas da Fed tiver terminado, vários bancos centrais de mercados emergentes poderão baixar as suas taxas, o que aumenta o valor para os titulares de obrigações.

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