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O verdadeiro epicentro da guerra comercial está na tecnologia


O sector industrial está a notar a pressão da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, mas os investidores farão bem em vigiar também a disputa que se está a gerar nas tecnologias. Para muitos especialistas, a batalha para ser líder mundial na tecnologia é o verdadeiro epicentro deste duelo. E, por isso mesmo, não preveem que o fim das tensões seja breve. Após anos a seguir os países mais desenvolvidos, a China agora colocou-se na linha da frente dos principais focos de crescimento, o desenvolvimento da rede 5G e a inteligência artificial. Como já mencionou  há uns meses Philippe Waechter, economista chefe, da Ostrum AM (afiliada da Natixis IM) os Estados Unidos não vão aceitar esta mudança de equilíbrio.

Como recordatório, na semana passada Trump incluiu a Huawei e 70 empresas afiliadas numa lista de ameaças à segurança nacional. A Google bloqueou o acesso a parte das suas aplicações aos smartphones da Huawei. Os utilizadores atuais da Huawei vão receber avisos de segurança e restrições de acesso a algumas aplicações, mas poderão ficar totalmente excluídas quando for lançado o novo sistema operativo Android mais para o fim do ano. Além disso, a Qualcomm, a Xilinx e a Brodcom também vão deixar de fornecer a Huawei com o seu hardware, diminuindo a capacidade da Huawei para distribuir internacionalmente o seu 5G. Para Genry, isto é um sinal do início de uma Guerra Fria tecnológica. “O governo chinês ainda não apresentou represálias pelos atos contra a Huawei, mas a resposta será seguramente proporcional”, sentencia.

Mas antes deste murro na mesa já haviam pistas de que se engendrava uma tensão. Um artigo publicado pelo Wall Street Journal no início de março afirmava que os Estados Unidos terão pressionado a Alemanha para travar o desenvolvimento da Huawei ou iriam limitar a informação que partilhavam com os seus serviços secretos. Em abril do ano passado sancionaram a ZTE.

Waechter explica que a chave está no desenvolvimento do 5G em países além da China e dos Estados Unidos. Fazê-lo em grande escala irá requerer necessariamente o uso da tecnologia chinesa. A Europa está consciente disso. No passado março o presidente de França, Emmanuel Macron, assegurou que a Europa não vai bloquear a Huawei, contradizendo diretamente as petições de Trump.

Como refere o especialista do Saxo Bank, no muito curto prazo, a Apple é uma candidata muito provável para sofrer uma represália direta a partir de Beijing graças ao veto do governo dos EUA à Huawei. A Apple obtém à volta de 20% das suas receitas (52 mil milhões de USD em 2018) nessa região, e portanto tem maior exposição nominal do que qualquer empresa dos EUA.

A seguinte tabela da Garnry mostra como das 33 empresas com maior exposição à China, as maiores pertencem ao sector tecnológico.

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