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O valor do investimento ESG em dívida emergente


Investir em dívida pública de mercados emergentes é um processo complexo, não só pelas características idiossincráticas de cada mercado, mas mais ainda pela instabilidade política e económica que reina em muitas destas economias. Se a esse investimento se adicionar uma camada de análise ESG, a complexidade adensa-se. No entanto, a equipa de gestão de dívida emergente da Degroof Petercam Asset Management tem a experiência e as aptidões para navegar este universo de investimento sem percalços, mas também um modelo próprio de classificação ESG que reorienta as carteiras no sentido de promover o investimento sustentável. Foi precisamente esta ideia que vários profissionais da entidade gestora belga procuraram passar a clientes e investidores recentemente em Portugal. Mais especificamente, Michael Vander Elst, portfolio manager do DPAM L Bonds Emerging Market Sustainable, falou da classe de ativos de dívida pública emergente e de como o filtro ESG da DPAM resulta numa carteira de investimento em que um conjunto de geografias se veem mais representadas: os mercados fronteira.

Dívida emergente

Mas antes de entrar em especificidades, o profissional quis defender o caso de investimento nesta classe de ativos. “Os ativos de investimento de economias emergentes devem fazer parte de qualquer carteira nos dias de hoje. Os dados disponíveis mostram claramente que o peso das economias emergentes na economia global tem subido sistematicamente ao longo das últimas décadas e deverá continuar a ser o caso. Os mercados emergentes estão no caminho de se tornarem mercados desenvolvidos. O crescimento global está a abrandar, mas o spread entre o crescimento dos mercados emergentes para os mercados desenvolvidos não”, explicita o gestor da Degroof Petercam AM.

Moeda local

No caso do fundo que Michael Vander Elst gere o investimento é executado em moeda local. E mais uma vez, o gestor quis deixar bem claras as razões pelas quais faz sentido abordar os mercados emergentes desta forma. “Vemos que hoje em dia, 80% das obrigações vivas nos mercados emergentes são em moeda local. É um mercado muito mais relevante que o de moeda forte. E um facto importante acerca desta classe de ativos é que, de todos os drivers da performance, o carry é aquele que mais importa. Quando decompomos os retornos históricos nos seus três componentes, carry, duration e FX, fica claro como o grosso do retorno de longo prazo vem do primeiro componente”, esclarece.

 

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Sustentabilidade

A abordagem da DPAM ao investimento sustentável em dívida de mercados emergentes tem, segundo o gestor, três fases: screening de sustentabilidade, gestão ativa e diversificação. Na primeira fase, a metodologia da DPAM passa por dividir o mercado em quartis, com base na sua classificação in house. Isto não sem antes passar um filtro de exclusão que põe de parte o  investimento em economias com questões graves no contexto social, ambiental ou de governo corporativo. Incluem-se aqui países como a China ou a Rússia. Desta primeira fase resulta então um universo de 70 países listados em quartis com base na classificação. “O universo em que investimos é muito maior do que o considerado nos benchmarks tradicionais que incluem cerca de 20 economias. Procedemos então para uma segunda fase onde analisamos o nosso universo em termos de apetite geral pelo risco de cada mercado, perspetivas para a classe de ativos e uma variedade de fatores como o sejam a abordagem dos bancos centrais ou o ciclo de matérias primas que impacta cada uma das economias. Procuramos também os países politicamente mais estáveis e onde as condições de liquidez permitam o nosso investimento. Finalmente, definimos o nosso portefólio considerando o nosso objetivo de diversificação”, expõe Michael Vander Elst.

O gestor almeja então uma carteira diversificada em termos regionais e de exposição a fatores mais específicos como o são o perfil importador ou exportador ou a dependência do comportamento de determinada matéria prima. Com base no filtro ESG e a distribuição do universo por quartis, é definido então que o fundo tem que ter pelo menos 40% dos ativos em economias do primeiro quartil e um máximo de 10% no último quartil. “O que acabamos por fazer é investir uma parte significativa dos ativos em mercados fronteira, o que nos proporciona duas vantagens muito importantes. Por um lado, as yields são muito atrativas e, por outro, os mercados fronteira têm uma tendência para ser muito pouco correlacionados com os restantes emergentes, tanto ao nível dos ativos como da moeda”, comenta o gestor.

Como resultado do processo diligente e de um filtro ESG muito próprio da casa de investimentos belga, o fundo mostra um perfil de risco e retorno muito interessante em comparação com os concorrentes. “Acredito profundamente que o filtro de sustentabilidade que aplicamos ao fundo adiciona muito valor. Adicionalmente, como resultado do nosso processo a carteira apresenta um rating de crédito muito elevado, acima de investment grade. Temos aqui uma estratégia que proporciona um retorno interessante com uma volatilidade controlada. Os retornos ajustados ao risco posicionam-na entre os melhores”, conclui Michael Vander Elst.

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