Tags: Negócio | Pensões |

O trabalho das gestoras de fundos pensões para irem ao encontro do que pede a ASF


Recentemente a ASF dirigiu-se às gestoras de fundos de pensões e foi contundente: “As entidades deverão ser flexíveis no tratamento das situações que lhes forem apresentadas, procurando sempre que possível ir ao encontro das suas necessidades”. Como? O regulador desta indústria apontava que as entidades deveriam encontrar “mecanismos que lhes permitam manter a monitorização regular da sua posição financeira, de liquidez e de solvência, bem como dos fundos de pensões por si geridos”.

Os testemunhos das gestoras de fundos de pensões, à FundsPeople, mostram um acautelamento quase que prévio a esta situação, mas também um reforço dos tais mecanismos enunciados pela ASF. No caso da Ageas Pensões, Valdemar Duarte, fala da incorporação de um “conjunto de preocupações adicionais derivadas da situação especial em que vivemos”, como “reuniões de equipa aos vários níveis, um dashboard diário com a monitorização das principais variáveis, nomeadamente a rendibilidade”, ou a  iniciativa de “produzir reportes semanais simplificados para os clientes empresa com a posição da carteira, rendibilidade e análise qualitativas sobre os mercados”.

Na GNB Fundos de Pensões, João Pina Pereira, descreve que “o que passou a exigir mais atenção foi a monitorização da liquidez dos ativos que compõem as carteiras vis-a-vis os montantes diários de resgates líquidos que os fundos de pensões abertos vão observando”, pois, as carteiras na sua gestão financeira já “são sempre acompanhadas em detalhe por um gestor dedicado, numa base diária”.

Pouco mudou, dizem a BPI Vida Pensões e a Real Vida Seguros. José Bonito, da primeira entidade, explica que “mesmo antes do regulador o ter solicitado ao mercado, já se encontravam a monitorizar estas vertentes com uma cadência maior do que em contextos normais”. Quando o pedido chegou, recorda, “teve unicamente que ajustar algumas “agulhas” internas, nomeadamente, para dar resposta aos formatos e aos prazos pretendidos”. Do lado da Real Vida Seguros, Rute Ribeiro e Bruno Fonseca explicam que para além das atividades já comuns “as equipas de gestão e de investimentos mantêm-se em contacto permanente, de modo a acompanhar as necessidades de liquidez face aos calendários estabelecidos das responsabilidades dos fundos de pensões, recebendo o gestor de investimentos a informação atempada dos respetivos montantes a liquidar.”

Explicar e estar próximo

Muito embora a ASF também tenha pedido “acrescida vigilância” relativa aos pedidos de reembolsos antecipados, as gestoras de fundos de pensões demonstram saber responder e gerir essa situação.

Valdemar Duarte refere que “os reembolsos antecipados estão praticamente ao nível do início do ano”, muito embora estejam, “por uma questão de precaução”, “a monitorizar diariamente os pedidos e a interagir com os clientes no sentido de os alertar para o potencial de perda”. Junto dos clientes, fazem portanto, um trabalho de literacia financeira. “Alertamos os clientes sobre o potencial de perda que esse reembolso pode acarretar, ou nos casos em que os clientes atingem a idade para reembolso alertamos igualmente para a possibilidade que existe na lei de poderem adiar o reembolso até um máximo de dois anos”. Por fim, acrescenta, produzem “o reporte extraordinário solicitado pela ASF que era para ser numa base semanal mas que, entretanto, passou a ser quinzenal”. Para os fundos PPR, na sequência da publicação da Lei 7/2020 de 10 de abril de 2020, que vem permitir o reembolso mensal sem penalização fiscal de um valor igual a um IAS (438,81), por parte dos participantes que se encontrem abrangidos direta ou indiretamente por medidas excecionais e temporários associadas ao estado de emergência que agora vivemos, o profissional da Ageas Pensões avisa que estes “vão constituir uma sobrecarga operacional para as entidades gestoras, mas terão um impacto muito baixo em termos do valor dos ativos sob gestão, da liquidez ou da solvência”.

A proximidade é chave quando toca a este tipo de pedidos de resgate, e da Real Vida Seguros a aposta na presença tem sido forte. “Aproveitamos todas as ferramentas informáticas disponíveis para poder interagir com os nossos clientes. É importante estarmos mais próximos do que nunca, sendo a nossa maior preocupação tranquilizar e responder às principais preocupações dos nossos clientes, explicando o comportamento dos mercados financeiros e o impacto que o mesmo está a ter no respetivo fundo de pensões, mas sem alarmismos ou estados de pânico”, contam. “Face ao contexto atual e à ativação dos planos de contingência, a BPI Vida e Pensões tomou todas as diligências para continuar a assegurar um serviço de excelência aos seus clientes na vertente comercial (aconselhando e agilizando casuisticamente cada pedido), operacional (pagando a “tempo e horas”) e de gestão (nível de liquidez de cada produto)”.

Em termos mais operacionais, a GNB Fundos de Pensões acrescenta que para fazer face aos eventuais pedidos de resgate “foram aumentados os níveis de liquidez por motivos prudenciais para valores próximos dos máximos permitidos por lei, i.e. 10%”, sendo intenção da gestora “permanecer nestes níveis até considerarmos que toda esta situação esteja normalizada”.

Profissionais
Empresas

Notícias relacionadas

Anterior 1 2 Siguiente

O Mais Lido