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O sweet spot nas três fases da vida de uma empresa


A Apple Computers tem mais de 40 analistas sell side a analisar a empresa. Já na Europa, empresas como a Danone ou mesmo a EDP, têm mais de 20 analistas a fazer o acompanhamento e estimativas dos dados financeiros. À medida que descemos na escala de capitalização de mercado das empresas cotadas, cada vez menos analistas fazem essa cobertura, a par de uma cobertura diminuta ao nível de media e, obviamente, menor interesse por parte dos investidores. Para Jean-François Cardinet e James Ogilvy, que juntamente com Annabelle Vinatier, gerem os fundos de micro, small e mid caps da Lazard Frères Gestion, há um limite a partir do qual as ineficiências de mercado, em resultado da falta de atenção dedicada, permitem que um gestor experiente, com um trabalho de análise profundo e dedicado, possa encontrar valor adicional. Os profissionais da entidade francesa estiveram em Portugal no contexto de um evento para investidores organizado em parceria com a Intermoney Portugal.

Para James Ogilvy, “não é preciso investir no Brasil ou na China para conseguir descorrelação com o mercado de large cap europeias”. Diz que “é muito mais fácil consegui-lo investindo perto de casa e com menos risco”. Refere-se especificamente ao nível semelhante de correlação com o MSCI EMU apresentada pelo índice Euromoney Smaller Euro - uma referência para o seu universo de investimento – e o MSCI Emerging Markets. Esta informação está patente na matriz de correlações abaixo.

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Já na questão do risco, o profissional faz questão de realçar a ideia pré-concebida de que o segmento de small caps é mais volátil que o segmento large cap, destacando que “o inverso é que é verdade”. A razão: “As small caps são demasiado pequenas para serem incluídas em ETFs, produtos sintéticos, cabazes de derivados...portanto, muitos dos flows de curto prazo passam ao lado do segmento de mercado o que faz com que a volatilidade seja menor”.

“A fase mais eficiente de criação de valor”

Com um universo de investimento que inclui empresas entre os 100 milhões de euros e os 2.000 milhões de euros de capitalização bolsista, o que Jean-François Cardinet e a restante equipa procuram são empresas que vão ao encontro aos seus critérios de investimento: “Não pretendemos passar a ideia de que conhecemos todas as empresas do universo de investimento, mas filtramos o mercado em busca de empresas que são lucrativas, operam em mercados nicho e estão a crescer”. “Tendemos a ter uma abordagem de longo prazo e mantemo-nos muito disciplinados no investimento. Comprar um bom negócio a um bom preço traduz-se em bons retornos no longo-prazo”.

A equipa da Lazard Frères Gestion identificou três fases diferentes na vida de uma empresa, patentes no gráfico abaixo. No eixo vertical está patente o Return on Capital Employed (ROCE), uma medida de rentabilidade de negócio com base no capital e dívida de longo prazo. No eixo horizontal, a dimensão das empresas.

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“Na primeira fase de vida de uma empresa, esta, tipicamente, não é rentável e é totalmente financiada por equity, pelo que o perfil de risco não se coaduna com o que procuramos”, descreve Jean-François.

O nosso alvo é a segunda fase de desenvolvimento, o sweet spot da rentabilidade na vida de uma empresa”, pontualiza o profissional. Nesta fase, a empresa cobre já os seus custos de capital e a rentabilidade do negócio está numa fase de expansão. Segundo os gestores, estas empresas estarão entre três a 10 anos nesta fase de rentabilidade crescente, onde conseguem reinvestir os cash-flows a níveis de rentabilidade significativamente acima dos custos de capital, e estão a operar, normalmente, no seu mercado original, muitas vezes um mercado de nicho.

Por fim, no extremo oposto e na última grande fase de um negócio, encontramos empresas que para manter o nível de crescimento tiveram e terão que considerar a diversificação e o afastamento do seu mercado original, adquirindo novos negócios, por exemplo, pelo que “eventualmente, os retornos acabam por normalizar”, conclui Jean-François.

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