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“O risco não é apenas que o value não resulte bem, mas que gere perdas importantes”


Tal como um rally não se esgota no tempo, um mercado não sobe apenas pelo facto das suas valorizações estarem baratas. O mesmo ocorre com os fatores. Nos últimos quatro anos o growth teve melhores resultados do que o value. Na Europa o spread entre ambos aumentou de forma contínua o que mostra um apetite maior por ações defensivas num clima de incerteza. Isto significa que a corrente terá de mudar mais cedo ou mais tarde? Não necessariamente.

Os indicadores apontam que o contexto de risk-off se manterá durante um tempo, segundo defende Amadeo Alentorn, gestor do Merian Global Equity Absolute Return. Por isso, o fundo continua posicionado na defensiva. A exposição da carteira ao factor value está em valores mínimos. Face aos 90% que a qualidade pesa, apenas representa 10%. E a qualidade também não é equivalente a growth. Efetivamente, o fator de crescimento sustentável (sustainable growth) aumentou ligeiramente no ano ainda que continue em níveis baixos. É o que explica o bom comportamento da estratégia nestes últimos meses de correção.

E apesar das quedas, o gestor da Merian prevê que a tendência se mantenha. Na sua opinião, atualmente é mais rentável pagar mais por empresas com valorizações caras, mas com qualidade. Vê risco em mudar para o value porque o spread está elevado há muito tempo. “Neste tipo de contexto, o risco não é apenas que o value não resulte bem, mas que gere perdas importantes”, insiste.

Não quer dizer que o value nunca mais volte a ser a melhor alternativa. “Diferentes estilos brilham em momentos distintos da história”, recorda Alentorn, tal como podemos comprovar no gráfico seguinte. De facto, é possível que com um horizonte de longo prazo, 3 anos, surjam oportunidades no value, mas com um olhar a 12 meses como o do fundo, não.

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Atualização da carteira

A um fundo de retorno absoluto o que se pede é que se mantenha firme em qualquer contexto de mercado. Que beba das subidas, mas – e quase mais importante – que seja mais resistente nas quedas. É o objetivo do Merian Global Equity Absolute Return: controlar a volatilidade abaixo dos 6%, ter uma correlação nula com as ações e dar uma rentabilidade positiva em períodos de 12 meses.

Este fundo com Selo Funds People 2019 pela sua classificação Blockbuster apresenta uma dupla neutralidade ao mercado. Ou seja, procura uma correlação 0.0 em termos de exposição regional e global. Definem a sua gestão como dinâmica e ativa. Ao fim e ao cabo fazem uma rotação diária da carteira de 2%, com uma limitação de não alocar mais de 1% a cada título nem mais de 10% a cada sector. Isto no fim representa que a cada 10 semanas 100% da carteira tenha rodado.

Quando o gestor refere que o fundo tem uma posição defensiva refere-se à exposição sectorial. A  maior ponderação está no sector da saúde (8,1%) que se prolonga há 12 meses. Onde se registam mudanças notórias é no sector da indústria, onde passaram de estar curtos (-4%) para estar longos (6,2%) num ano, e no sector das tecnologias da informação, que chegou a ser o sector de maior peso e agora representa só 1,7%. Também se reforçaram os curtos no consumo discricionário (-6,3%) e financeiro (-6,5%).

Por indústria, a das seguradoras (10,6%) cresceu, tornando-se na de maior peso, sendo seguida de perto pelas indústrias dos têxteis e bens de luxo (9%) e de software (8,6%). Nestes 12 meses em três sectores passaram de estar longos para curtos: semiconductores e equipamento (-4,8%), hotéis, restaurantes e lazer (-8%) e mercados capitais (9,2%). Os curtos em bancos mantêm-se estáveis com um peso de -7,3%.

Geograficamente, o fundo continua a refletir essa neutralidade. Por países, os Estados Unidos têm o maior peso (27,9%), mas a Europa representa 43% da carteira. A Ásia Pacífico já representa 18%. É um ponto a destacar já que, tal como adiantam há uns meses, a gestora está a trabalhar para ter acesso ao mercado onshore (ações A) da China. De momento só o podem fazer em posições longas e estão à espera de que seja uma opção também para os curtos.

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