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O retrocesso do ouro não anula o interesse dos investidores: os ETF voltam a registar subscrições record


Setembro não foi um mês bom para o ouro, um dos ativos que mais alegrias deu aos investidores neste complicado 2020. O metal amarelo despediu-se do nono mês do ano com uma queda de 4,16%, a pior descida mensal desde novembro de 2016, que o deixou abaixo dos 2.000 dólares a onça. As causas foram fundamentalmente duas: uma certa recuperação do dólar e as dúvidas sobre se as políticas monetárias vão conseguir a subida da inflação que assenta tão bem ao ouro.

Ambas as causas impactaram no preço do metal no mês de setembro, mas não anularam o interesse que o ouro continua a despertar em investidores a quem cada vez sobram menos ativos seguros para onde destinar o seu dinheiro. De facto, assim o mostram os dados que acaba de publicar World Gold Council. Os ETF de ouro (incluem tanto os que replicam o comportamento do metal como os que investem em ações mineiras) fecharam o mês de setembro com um novo recorde de subscrições (4.600 milhões de dólares) o que eleva para 55.700 milhões de dólares as entradas de dinheiro acumuladas neste 2020, o que implica um novo recorde anual apesar de ainda faltarem três meses para o fim do ano.

A nível trimestral, as posições em ouro dos ETF aumentaram 7% somando 273 toneladas, 16.400 milhões de dólares em ativos que estiveram concentrados em fundos norte-americanos. De facto, metade destas subscrições líquidas concentraram-se em dois únicos produtos: SPDR Gold Shares, da gestora State Street, e iShares Gold Trust, da empresa iShares.

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Quanto às perspetivas para o metal, devemos estar atentos aos três catalisadores que vão fazer mover o seu preço nos próximos meses: a incerteza do mercado, a evolução do dólar e as perspetivas de inflação. Face à primeira, no World Gold Council realçam que são muitas as incertezas que podem continuar a provocar volatilidade no mercado e, portanto, aumentar o preço do ouro.

“Nos EUA os analistas de mercado acreditam que há uma boa possibilidade de que as eleições presidenciais dos EUA sejam disputadas e não resolvidas durante algum tempo depois do dia das eleições. Além disso, a dinâmica litigiosa em torno do projeto de lei de estímulo e a indicação no Supremo Tribunal de Justiça já estão a chegar aos mercados. Na Europa, um cenário Brexit sem acordo é possível e poderá interromper o comércio na região. A nível global os casos de COVID-19 estão a aumentar à medida que avançamos para o outono, com o Presidente Trump como o mais recente líder mundial infetado”, afirmam.

Quanto ao dólar, o consenso estima que apesar do leve aumento que protagonizou a divisa nas últimas semanas, a sua tendência a curto prazo continuará a ser baixa. “Opinamos que as quedas que presenciamos desde março são só o começo. Esperamos uma tendência decrescente do dólar mais significativa a médio e longo prazo”, afirma Robbie Boukhoufane, gestor de obrigações da Schroders, baseando-se em cinco fatores-chave: financiamento, taxas de juro baixas, rentabilidade relativa do ouro face a outros ativos do mercado, a flexibilização quantitativa e a despolarização a longo prazo à medida que surgem novas alternativas que podem atuar como reserva mundial.

Face à inflação, ainda que continue a ser débil, estão a crescer as vozes que apontam para um aumento da mesma no médio prazo e, de facto, são várias as gestoras que jogam com a ideia de uma inflação elevada no momento de compor as suas carteiras. “Nos próximos 12 meses, a debilidade do dólar e o aumento da inflação serão provavelmente os tailwinds principais por detrás do ouro, especialmente dado que se espera que a Reserva Federal dos EUA deixe que a inflação suba acima de 2% como parte do seu objetivo de inflação médio”, afirmam na WisdomTree. Atualmente, nos EUA já se tinha visto a quarta subida da inflação consecutiva mensal, que implica um aumento anual de 1,4%.

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