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O regresso da volatilidade para níveis próximos da média a longo prazo é uma oportunidade para os alfa players


Parece ser consensual que o enquadramento macroeconómico vai continuar positivo nos meses que se seguem. No entanto, são várias as vozes que alertam para o possível surgimento de novas dinâmicas nos mercados. A inflação, claro está, é um dos temas que mais atenções tem atraído. Sobre este já muito tem sido dito, ainda assim, Didier Borowski, head of macroeconomic research da Amundi, acredita que os mercados estão a subestimar a vontade da Fed de subir as taxas e o facto de que a inflação vai subir. Não obstante, na entidade não preveem que seja uma subida muito acentuada, “apenas uma modesta aceleração para 2,5% em média para este ano”, refere. Dito isto, do lado da Fed, não acreditam que o enquadramento macroeconómico “encoraje uma subida de taxas superior a duas ou três vezes este ano”, revela Didier Borowski.

Isto nos Estados Unidos. Do lado da Europa, o cenário é bem diferente, uma vez que “não é expectável uma aceleração da inflação core até ao final deste ano na zona euro”, avança o especialista. Como tal, na entidade encontram-se “ainda mais dovish que o BCE”, esperando um processo de subida da inflação bastante gradual. Dito isto, a verdade é que o quantitive easing poderá durar mais do que o esperado. Porquê? “Porque o BCE refere claramente que se a core inflation não acelerar, o programa vai continuar, e não acreditamos que esta acelere tanto quanto o BCE espera”, explica Didier Borowski.

Quanto à premissa de que o ciclo financeiro se encontra numa fase bastante madura, o especialista admite que está correta, embora exista um ponto importante a destacar: “O ciclo financeiro encontra-se maduro a nível global, é um facto, mas o ciclo económico ainda não está numa fase tão avançada, existindo países que ainda se encontram em fases iniciais do seu próprio ciclo económico. Como tal, é natural que não se verifique uma aceleração sincronizada da inflação, pelo que o reequilíbrio da política monetária será feito a diferentes velocidades”, ressalva.

‘Bond crash’ fora da equação

Com este enquadramento em órbita, a opinião de Didier Borowski é de que os mercados, daqui para a frente, serão muito menos direcionais do que têm sido até agora. Por outro lado, as taxas de juro nas economias avançadas devem continuar a subir: “É expectável que a yield das bunds a 10 anos se situe entre os 0,8% e 1%; já do lado da yield das Treasuries, esperamos que evolua entre os 2,8% e os 3% para o final do ano. Não colocamos de parte a possibilidade de se verificar uma pressão ascendente na parte mais longa da curva das treasuries, especialmente se a inflação acelerar, mas, tendo em conta o nível de incerteza e volatilidade, esperamos uma realocação de portfólios para capturar a subida das taxas de juro mais longas nos Estados Unidos”, adianta o especialista.

Quanto ao recente regresso da volatilidade, Dider Borowski refere que quando se detém exposição a ativos de risco é necessário ter em conta que “o contexto será muito mais volátil do que foi no ano passado, e isso tem um impacto significativo no universo de fixed income”. Para o especialista, os dois grandes motores da volatilidade têm sido a liquidez dos bancos centrais e os riscos externos – geopolíticos e relacionados com o comércio mundial. “Caso se verifique a materialização destes riscos, é normal que muitos investidores tenham a tendência para deter Treasuries de longo prazo”, refere Didier Borowski. Acrescenta, por outro lado, que continuam a preferir ações em relação a crédito e crédito em relação a obrigações governamentais: “Mantemos a exposição a ativos de risco, mas acreditamos que os mercados serão muito menos direcionais e que o ambiente será muito mais volátil, mesmo apesar de existir uma sincronização global”, explica.

Assim, o especialista adianta que mantêm exposição ao segmento acionista mas têm vindo a reduzir essa mesma exposição, procurando oportunidades de relative value. “Nas nossas carteiras multiativos iniciámos uma rotação de crédito para ações, mas a um ritmo bastante moderado. No universo de fixed income mantemos a exposição aos segmentos high yield e investment grade na zona euro, na qual se regista uma recuperação”, revelou Didier Borowski. Para o que resta de 2018, a opinião do especialista é que é um ano de oportunidade para alfa e beta players, sendo que a estabilização da volatilidade num nível próximo da sua média de longo prazo “é uma boa notícia para os primeiros, uma vez que oferece oportunidades interessantes”, conclui.

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