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O que se vai passar nos mercados a partir de agora?


O que se vai passar nos mercados a partir de agora? É a grande pergunta que se fazem atualmente os investidores depois da vitória da Donald Trump nos Estados Unidos. Para responder a essa questão perguntámos a cinco grandes gestoras de fundos sobre o comportamento que poderão experimentar as distintas classes de ativos a partir de agora.

BlackRock. Na maior gestora do mundo por ativos sob gestão esperam um sell-off nos ativos de risco e uma procura de ativos considerados refúgio. “Acreditamos que os mercados emergentes são especialmente vulneráveis devido à sua dependência das exportações e do sentimento do investidor. Esperamos uma elevação da curva de yields e um melhor comportamento relativo dos títulos do sector da saúde, que beneficiará de uma possível flexíbilização do contexto normativo por parte de Trump”, afirmam.

Schroders. Na entidade veem como improvável que o novo contexto seja favorável para os mercados. “A perspetiva do protecionismo e o menor crescimento mundial golpearão as bolsas e os ativos de risco em todo o mundo”, indica Keith Wade, economista chefe da entidade. Coincide com a BlackRock quando afirma que os mercados emergentes são especialemente vulneráveis por causa da sua dependência do comércio mundial. Nas obrigações, o especialista considera que as yields das obrigações poderão subir ao exigir dos investidores uma maior compensação pelo risco de inflação, enquanto que as bolsas previsivelmente terão revistas as suas valorizações em baixa. “Provalvelmente vamos ver níveis de volatilidade consideráveis, já que o contexto de taxas de juro baixas dos últimos anos, que tem dado apoio às valorizações bolsistas e impulsionou os valores das obrigações, vai alterar-se profundamente”. No seu entender, os cortes das taxas de imposto das empresas compensarão em parte o anteriormente referido e sectores como a energia e os serviços financeiros poderão beneficiar de uma maior liberalização.

Da BNY Mellon acreditam que a vitória de Trump provocará uma queda das yields das obrigações do Tesouro norte-americano, vendas generalizadas entre os ativos de risco e a apreciação de certas divisas, como o yen e o franco suíço. Também consideram provável que as bolsas registem fortes correções e, tal como a Schroders, também auguram um significativo aumento de volatilidade. “Os mercados mundiais continuarão nervosos até que se perceba a incerteza sobre a dinâmica entre Trump, o Partido Republicano e o Congresso norte-americano e se clarifique o que significa esta vitória”, assinala Paul Markham, gestor da Newton, filial da BNY Mellon. Embora seja muito mais difícil antecipar claramente o que irá supor uma vitória de Trump para os mercados, o especialista acredita que é possível que seja reflacionária nos próximos seis a doze meses, visto que  Trump indicou que investirá grandes quantidades em certas áreas da economia, como as infraestruturas, que poderão considerar-se inflacionárias se receberem capital suficiente. “Esta situação, juntamente com  o facto da solvência dos EUA poder ser questionada pela incerteza orçamental, poderá acabar por provocar um aumento das TIRs das treasuries nos próximos seis a doze meses”.

Fidelity. Donald Trump foi considerado, em geral, um candidato que podia suscitar alguma incerteza sem precedentes em áreas como o gasto público, a política monetária, o comércio e a legislação. Como consequência, Ángel Agudo, gestor do Fidelity America, mostra-se convencido de que as obrigações do Tesouro dos EUA e o ouro poderão beneficiar inicialmente dos movimentos que desencadeiam os investidores em busca de segurança. A curto prazo, também espera maiores flutuações do dólar devido às incertezas que rodeiam a política comercial. “Nas bolsas, depois de um pico inicial de volatilidade, a descida da taxa de imposto comercial (se aplicado como foi proposto) será positiva a curto-médio prazo. Numas eleições marcadas pelos fortes contrastes nas políticas dos candidatos,  viu-se um âmbito fora do comum de acordo entre Clinton e Trump: o gasto público. Tanto Clinton como Trump estiveram de acordo em aumentar o investimento em infraestruturas e armamento, pelo que o mercado já os desconta em parte, mas nas duas áreas existem oportunidades de investimento muito interessantes.

Invesco. Como investidores de longo prazo com uma elevada convicção, na gestora não planeiam modificar o seu processo ou filosofia em resposta às eleições ou outros acontecimentos a curto prazo. “E aos investidores também não convém fazê-lo. Na nossa opinião, independentemente do partido que ocupe o poder, o melhor planeamento seria o seguinte: construir uma carteira diversificada desenhada para atender às necessidades de longo prazo, e cingir-se ao seu plano ao longo do tempo. Atualizar o plano quando as suas necessidades mudam e não o abandonar devido a volatilidade de mercado”, asseguram. O facto de não modificar o seu enfoque como consequência da política, não significa inação. De facto, na entidade recomendam estar muito atentos ao que ocorre em Washington nos próximos meses e avaliar as possíveis consequências dos objetivos políticos da nova administração para a economia norte-americana, os mercados mundiais em geral e certos sectores de mercado em particular.

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