O que se passa com o Carmignac Sécurité? O seu posicionamento após um ano difícil


O Carmignac Sécurité, um dos maiores fundos de gestoras internacionais na Península Ibérica, está a viver um ano negro. O fundo estrela da empresa parisiense Carmignac dominou durante anos as listas de preferidos pelos selecionadores pela sua capacidade de gerar valor e preservar o capital em obrigações, especialmente nos anos mais complicados da crise. Este ano, em contrapartida, o fundo move-se entre os mais atrasados, no percentil 82, ao acumular uma queda de 2,68% no dia 23 de novembro.

Isto junta-se ao comportamento dececionante de 2017, quando terminou praticamente flat, com uma subida de 0,04%. Assim, a rentabilidade anualizada dos últimos três anos diminuiu para os -0,30%. O que se está a passar com o fundo? Falámos com Keith Ney, gestor do fundo desde 2013.

Sem grandes mudanças no posicionamento

Apesar de tudo, Ney defende a tese de investimento do fundo: “Mantemos o nosso cenário de subidas nas yields alemãs e de estreitamentos dos spreads de crédito na Europa”. A carteira do Sécurité está desenhada para beneficiar de um movimento em subida das taxas a nível global e o gestor encontra argumentos suficientes para continuar a apoiar essa tese.

“Com o mercado a refletir no preço um caminho de subidas de taxas na Zona Euro relativamente dovish, com um compromisso provável a curto prazo entre a Itália e a Comissão Europeia, e as rentabilidades da dívida norte-americana a refletir um maior crescimento e uma maior pressão salarial, acreditamos que as rentabilidades da dívida alemã podem mover-se significativamente em subida , o que irá apoiar a construção da carteira atual.

Três grandes temáticas

O Carmignac Sécurité está posicionado para capturar três grandes temáticas. Em primeiro lugar, os spreads da dívida governamental europeia non-core irão provavelmente estreitar no médio prazo. “Embora seja difícil escapar do dano colateral, se a volatilidade regressa aos spreads italianos, a Espanha e a Grécia, em particular, deverão comportar-se melhor no médio prazo”, explica Ney.

Em segundo lugar, os spreads de crédito europeu ajustados mantiveram a equipa focada nos mercados como o de empréstimos colateralizados (collaterised loan obligations) europeus AAA/AA. “Continuam a ser uma classe de ativos "quebrada", onde as restrições regulatórias e as cicatrizes da crise nos permitem beneficiar de níveis de spreads muito atrativos considerando a quase ausência completa de defaults históricos”, conta Ney.

E, por último, continuam a gerir taticamente a duração da carteira. Têm uma abordagem oportunista no seu posicionamento na curva, inclusive mais além da maturidade de entre 1 e 3 anos que o seu índice de referência tem, mas sempre dentro do limite de 3 a +4 de risco de duração que a carteira tem. “Esta estratégia flexível, de baixa duração em vez da maturidade curta, ajuda a suportar o comportamento direcional, baseado no carry e no roll-down, neste contexto de taxas negativas”, conclui.

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