O que pedem os investidores portugueses às gestoras internacionais?


A percepção dos investidores relativamente aos mercados tem sofrido uma evolução devido à conjuntura actual. Por um lado as baixas taxas de juro fazem cair por terra as altas remunerações dos depósitos, retiram de activos refúgio as emissões soberanas dos EUA ou Alemanha que, também, deixaram de oferecer as ‘yields’ do passado e, no global, os investidores passam a ter em conta riscos que estavam colocados de parte e incluem no seu leque de possibilidades de investimentos activos de maior risco ou fundos de investimento como fontes alternativas de retorno.

Num pequeno-almoço realizado em Madrid com ‘sales’ portugueses, Ana Carisso da Fidelity, André Themudo da BlackRock, Carlos Varela da J.P. Morgan AM, Diogo Gomes do UBS Global AM, Mário Pires da Schroders e Pedro Coelho do ING IM foram identificados os tipos de fundos de investimento mais procurados pelos selectores/investidores portugueses.

Se ainda podemos estar longe da rotação efectiva nas carteiras com uma evidente transferência de fundos para as acções retirando exposição ao mercado obrigacionista, a verdade é que os investidores têm avançado de forma gradual. A preferência recai sobre “produtos mistos, com exposição a diferentes classes de activos e flexíveis”, para que possam ser mais conservadores num momento de maior volatilidade e mais agressivos noutros momentos, referiram Diogo Gomes e Ana Carisso. Neste âmbito, e com os principais mercados accionistas em máximos, surgem os fundos ‘long short’, comercializados por algumas das gestoras  presentes, que tendem a aproveitar duas faces da mesma moeda, gerindo as posições em carteira consoante as análises técnica e fundamental que realizam sobre as empresas seja na perspectiva do crédito ou das acções.

Os conceitos como os ”fundos de distribuição de rendimento trimestral, semestral ou anualmente e os fundos de retorno total ganham popularidade precisamente pela aproximação ao conceito tradicional de poupança em depósitos a prazo”, sublinharam Mário Pires e André Themudo. 

Assim, “com a ideia de manterem o mesmo nível de rendimentos do passado com uma maior tolerância ao risco surgem os fundos ‘high yield’ e dívida de mercados emergentes tanto em moeda local como em divisa estrangeira”, salientaram Carlos Varela e Pedro Coelho. “O fundo da Fidelity de ‘high yield’ europeu tem sido um dos preferidos dos investidores, desde o início de 2013”, sublinhou Ana Carrisso.

O mercado accionista europeu de qual muitos “fugiram” nos últimos anos tem vindo a ressurgir, precisamente pelas valorizações estarem abaixo do seu ‘fair value’ e pelo facto dos analistas considerarem que há bastante margem de subida. Assim, os fundos de acções europeias de qualquer uma das casas presentes têm sido alvo do interesse e procura por parte dos investidores. Entre estes, a responsável de vendas da Fidelity destacou “o fundo de acções Ibéria, gerido por Firmino Morgado, que desde o início do ano, tem sido bastante procurado”. O mesmo acontece com os fundos EUA, embora as avaliações não sejam tão atractivas  como as europeias, mas que continua a ser um produto ‘core’ na alocação, uma vez que se inclui exposição à maior economia do mundo seja na vertente de crédito como na de acções.

Por último, foram identificados os produtos de gestão de passiva, em parte como uma etapa intermédia desta maior exposição ao risco especialmente no mercado accionista. André Themudo referiu que “Portugal é um mercado muito importante para a indústria de ETFs e, consequentemente para a iShares, responsável pela gestão de ETF da BlackRock”. 

 

Veja o artigo completo deste pequeno-almoço Funds People na segunda revista já em distribuição entre os profissionais do sector. 

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