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O que nos diz a evolução do investimento em obrigações nas carteiras dos fundos nacionais?


À data de 31 de dezembro de 2015, segundo dados da CMVM, era o investimento direto em obrigações que representava a posição mais relevante na estrutura das carteiras dos fundos de investimento mobiliário nacionais (cerca de 30%). A evolução e composição dessa mesma posição, pode permitir tirar conclusões acerca do desenvolvimento do apetite pelo risco dos gestores de fundos de investimento perante um contexto de mercado cada vez mais desafiante.

Captura_de_ecra__2016-07-21__a_s_15

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Tendo em consideração que a evolução da ponderação das emissões por rating de crédito reflete, não só, decisões estratégicas dos gestores, mas também a evolução do rating das próprias emissões, observamos, nos gráficos abaixo, uma subida ligeira do peso de ativos investmente grade no período considerado. Não obstante, é visível também uma clara inversão de tendência, depois de se ter formado um pico no segundo trimestre de 2015.

Captura_de_ecra__2016-07-21__a_s_16

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Por outro lado, o segmento high yield perdeu significativamente o seu peso nas carteiras de fundos de investimento, passando de mais de 50% em finais de 2012 para um mínimo de 19,8% em 2015. Isto, segundo a CMVM, “indicia uma postura mais conservadora dos gestores dos fundos na tomada de risco, tradutora de um refrear na procura de yields mais elevadas (e, ao mesmo tempo, associadas a um maior risco de crédito)”.

Porém, a desagregação do segmento IG e High Yield, mostra que a maior ponderação do primeiro tem sido sustentada por obrigações no limite inferior, nomeadamente, “com notação de risco BBB+, BBB e BBB-, ou seja, aquelas que se encontram no limiar de investment grade, por contrapartida da diminuição do peso das consideradas non-investment grade speculative (BB+, BB e BB-)”, como é destacado pela CMVM no seu mais recente Relatório de Atividade. A entidade reguladora destaca também que “dada esta situação de fronteira, não é de desconsiderar que esta evolução se possa dever essencialmente à revisão do rating de alguns emitentes, e em menor grau a uma decisão ativa dos gestores em procurarem obrigações com melhor notação de risco (o que, a acontecer, se poderá dever à necessidade de dar cumprimento às regras de investimento constantes dos prospetos dos fundos, as quais, em geral, impõem limites mínimo e máximo ao investimento em obrigações notadas como investment grade e high yield)”.

Vemos também que aumentou significativamente o peso das obrigações sem notação de risco (aquelas que nunca foram objeto de cobertura, deixaram de a ter em algum momento no tempo ou para as quais não foi reportada informação à CMVM).

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