O que mudou na gestão de fundos mobiliários nacionais desde 2002?


Bem sabemos que quantidade não é sinónimo de qualidade (ou pelo menos é o que se costuma dizer), mas não restam dúvidas de que o mercado de fundos mobiliários nacional já foi bem maior. Há quase 20 anos, em 2002, estes fundos reuniam 20.608,4 milhões de euros de ativos sob gestão, perto do dobro do montante total hoje existente neste segmento: 12.999 milhões de euros. Mas esta não é uma diferença vã: analisando os dados da CMVM relativos aos indicadores trimestrais da gestão de ativos, percebe-se que o número de produtos também encolheu. Bem mais robusto, em 2002 o mercado era composto por 221 fundos, em contraposição com os 156 atuais.

Mas as diferenças não se ficam por aqui, aliás são gritantes quando nos concentramos nos players de mercado. As duas décadas passadas trouxeram a permanência de apenas quatro entidades nesta área (embora a sua configuração atual já não seja a mesma): a Caixagest (atual Caixa Gestão de Ativos), a ESAF (atual GNB Gestão de Ativos), a BPI Fundos (atual BPI Gestão de Activos) e o  Santander (atual Santander AM).

Em termos de concentração de ativos no top 3 de gestoras, o cenário mantém-se mais ou menos idêntico: o top três de gestoras reunia em 2002 quase 66% do mercado, enquanto que quase 20 anos depois esse rácio é de 72%. Contudo, a líder de mercado nessa altura deixou de existir: a AF Investimentos (gestora na altura do Grupo BCP) geria 5.881 milhões de euros; hoje em dia esse posto é ocupado pela Caixa Gestão de Ativos com 4.385 milhões de euros, e uma quota de mercado de 33,7%.

Volume de ativos sob gestão em fundos mobiliários em 2002 vs 2019

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Fonte: CMVM, indicadores trimestrais da gestão de ativos 

Número de fundos por entidade em 2002 vs 2019

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Fonte: CMVM, indicadores trimestrais da gestão de ativos 

Obrigações encolhem e categorias reorganizam-se

Em termos de categorização de mercado dos fundos, as ações e as obrigações mantêm-se, tal como há 17 anos, as categorias com maior representatividade, embora o número de produtos de obrigações tenha decrescido. Hoje em dia são 20 os fundos de obrigações existentes no mercado, face aos 44 de 2002.

Interessante de analisar é também o baixo volume existente na categoria de fundos de ações há 20 anos. Os 62 fundos desta categoria reuniam apenas pouco mais de 1.000 milhões de euros, ou seja uma quota de mercado que não ia além dos 5,40%. No fecho de 2019 um universo mais reduzido destes produtos -  43 – apresentava um valor superior, no caso mais 1.781 milhões de euros, e uma quota de mercado de 13,7%.

Clara fica também a reorganização e simplificação de categorias existentes nestas últimas duas décadas, como visível na tabela abaixo. Em 2002 eram 11 as categorias consideradas, e atualmente são apenas 8.

Categorias de fundos mobiliários nacionais em 2002 vs fundos mobiliários 2019

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Fonte: CMVM, indicadores trimestrais da gestão de ativos 
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