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O que esperar dos mercados financeiros no 4.º trimestre?


(Artigo de opinião de João Pisco, analista financeiro e de Mercados do Bankinter Research, onde analisa os riscos e os possíveis resultados que podem surgir no 4.º trimestre de 2019)

Embora persistam alguns riscos sobre as bolsas (comércio, Brexit e proximidade das eleições americanas), os fatores de suporte estão a funcionar: ausência de inflação, taxas de juro zero ou negativas, resultados empresariais em crescimento (mais do que aparentam) e prováveis estímulos fiscais e orçamentais.

Os bancos centrais passaram de “polícias” da inflação para promotores da mesma… e promotores de crescimento económico. E já demonstraram que estão dispostos a tudo para consegui-lo, pelo que não devemos duvidar deles.

Além disso, agora que as suas medidas de política monetária parecem menos eficazes, os governos começam a ver-se pressionados para atuar com políticas fiscais e orçamentais expansionistas.

Contudo, tudo deveria ir mais lento a partir de agora. E a principal razão para isto é que o ciclo expansionista já alcançou a sua velocidade cruzeiro e os resultados das empresas normalizaram e estabilizaram.

Ainda assim, não devemos esquecer a lógica do défice de alternativas, neste novo mundo caracterizado pela ausência de inflação e taxas de juro zero ou negativas. A enorme liquidez disponível continuará assim a dirigir-se para os ativos que ainda oferecem um retorno suficiente: ações. Pelo menos enquanto o ciclo económico não se deteriorar gravemente e os resultados empresariais continuarem a crescer de forma decente. E isso ainda não aconteceu, nem é provável que aconteça.

As nossas avaliações a 12 meses apresentam potenciais de valorização de +16,1% para o S&P500 e +9,7% para o EuroStoxx-50. Consideramos os EUA como primeira opção de investimento, seguida da Europa, onde mantemos uma recomendação Neutra. Em termos setoriais, adotamos uma posição mais conservadora, preferindo setores com elevada capacidade de geração de cash flow e maior remuneração para os acionistas. Exemplos: setor elétrico, imobiliário e infraestruturas.

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