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O que esperar dos mercados em 2016? Há um ano estava mais otimista!


Lendo alguns Outlook para 2016, fico com a sensação que as casas financeiras continuam otimistas embora esperem retornos reduzidos para as bolsas. Genericamente, continuam construtivos, apesar do aumento da volatilidade. Consideram que ainda é cedo para uma reversão do bull market que se iniciou em Março de 2009, uma vez que o ciclo de resultados permanece positivo e em algumas regiões, os bancos centrais continuam apostados em garantir doses extra de liquidez. 

Analisando a evolução macroeconómica mundial, assistimos nos últimos meses a uma redução das estimativas para 2015 e 2016. Reflexo disso, a evolução geral das commodities que continuam com uma evolução descendente. A subida da volatilidade não é positiva para a confiança dos investidores. Os fatores de risco estão praticamente todos em cima da mesa: a redução das perspetivas económicas, a descida do preço das commodities, o aumento do risco geopolítico, a postura do BCE aquém das expetativas e a subida dos juros nos EUA (dúvidas sobre a sua extensão).

Perante este enquadramento, o ano de 2016 não vai ser fácil para os investidores. A dívida soberana apresenta rendibilidades não apelativas, o crédito investment grade e high yield não oferece grande potencial de rendimento (há até algumas casas financeiras underweight) e os mercados emergentes continuarão nos próximos meses a sofrer com a queda dos preços das commodities, apesar de a China ter revelado há dias um crescimento anual da produção industrial melhor do que em meses anteriores (6,2%)

Por cá, o panorama também não será fácil. Com um governo que parece mais sólido do que é na realidade, a economia portuguesa depende muito da evolução económica dos seus parceiros. Por exemplo, as exportações para fora da zona euro têm apresentado uma evolução complicada nos últimos meses, nomeadamente para Angola e Brasil. O PIB português tem registado igualmente ligeiras diminuições nas previsões para 2015 e 2016. Os casos Novo Banco e Banif marcaram a agenda nos últimos tempos e a incerteza relativamente ao futuro do Novo Banco continuará a ser um fator negativo para a tão desejada estabilidade do sistema financeiro, uma das condições chave para a dinâmica económica.

Não sendo pessimista mas também não querendo ser irrealista, acho que 2016 vai ser um ano mais complicado que 2015. Se olharmos para as performances dos mercados este ano, até 18/12/2015, os índices S&P 500 e Stoxx 600 por exemplo tiveram performances relativamente pobres: -2,6% e 5,5% respetivamente. Por outro lado, a expansão dos PER’s necessita do crescimento das economias, dos negócios e dos lucros e as expetativas não são tão boas como em anos anteriores. A Europa, dado estar numa fase atrasada do ciclo económico, poderá diferenciar-se positivamente ao nível dos mercados acionistas, mas é bom lembrar que “quando os EUA se constipam, os mercados europeus normalmente apanham uma pneumonia”.

Já agora, é preciso não esquecer o investimento imobiliário que apresenta em alguns segmentos yields interessantes.

Desejo a todos um Feliz Natal e um 2016 com saúde e sucesso nos investimentos.

(Charles & Marie, Flickr, Creative Commons)