O que acontecerá se Joe Biden for o próximo inquilino da Casa Branca?


Com base no que as sondagens mostram, a pandemia de COVID-19 e os protestos que incendeiam o país parecem conter as aspirações de Donald Trump. As sondagens apontam para que Joe Biden, candidato democrata à Casa Branca, tire 10 pontos ao seu rival republicano, o atual presidente dos Estados Unidos. O grande problema para o atual presidente reside no facto de as sondagens estarem cada vez mais contra ele nos chamados swing states, aqueles que por vezes votam maioritariamente nos democratas e outras vezes nos republicanos, e que são os que decidem quem ficará no comando do escritório oval. O que acontecerá se ganhar o candidato democrata?

Paresh Upadhyaya, diretor de Estratégias com Divisas e gestor de Ações Americanas na Amundi, Christine Todd, responsável de Obrigações Americanas na entidade, e Craig Sterling, responsável de Análise de Ações Americanas publicaram um relatório, ao qual a FundsPeople teve acesso, no qual analisam a agenda de Biden e as suas prioridades políticas. Os principais pontos do seu programa resumem-se em cinco tópicos:

1. Cuidados de saúde

A pandemia afetou desproporcionalmente as comunidades minoritárias e destacou a crescente lacuna no acesso aos cuidados de saúde entre essas minorias e famílias com baixos rendimentos. Isso está a revitalizar a abordagem de Biden para expandir o acesso à saúde, por meio de uma nova opção de seguro público e pelo reforço da Lei de Assistência Acessível de Obama, aumentando os subsídios do mercado.

Biden também pediu que sejam realizados testes financiados pelo governo federal a todos os trabalhadores que regressam aos seus empregos, para garantir uma baixa médica paga aos trabalhadores afetados pela COVID-19 e para criar uma força de trabalho coordenada pelo governo federal para controlar contactos. Biden quer restaurar a Direção do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca para Segurança Global em Saúde e Biodefesa, que foi removida pela administração de Trump. Este conselho era o responsável pela preparação para uma pandemia.

2. Desigualdade salarial

Os protestos nos Estados Unidos destacaram a desigualdade salarial. Dada a importância dos grupos minoritários para o Partido Democrata, incluindo afro-americanos, Biden pedirá iniciativas para apoiar estas comunidades. Por exemplo, o ex-vice-presidente visa fortalecer a Lei de Reinvestimento Comunitário de 1977, um padrão que exige que bancos comerciais e associações de poupança e empréstimo atendam às necessidades dos mutuários em todos os segmentos das suas comunidades, incluindo bairros de baixos e médios rendimentos.

Além disso, Biden quer expandir o plano 10-20-30 do congressista James Clyburn, no qual 10% do financiamento vai para municípios onde 20% da população vive abaixo da linha de pobreza nos últimos 30 anos. O candidato pediu também novas proteções aos direitos de voto, removendo os requisitos estatais e locais que poderiam perpetuar a discriminação e estabelecendo um programa de alojamento acessível de 100.000 milhões de dólares. Além disso, quer aumentar o salário mínimo federal para 15 dólares por hora.

3. Política fiscal

Sob a liderança de Biden, é provável que o imposto sobre sociedades aumente para 28%, revertendo metade do corte promulgado por Trump e pelo Congresso liderado pelos republicanos no final de 2017, quando a taxa de imposto caiu de 35% para 21%. Além disso, o candidato democrata também irá impor um imposto corporativo mínimo de 15%. O plano fiscal de Biden tem menos probabilidade de sucesso se os democratas não vencerem no Senado.

4. China e as guerras comerciais

A opinião pública dos EUA sobre a China deteriorou-se muito nos últimos cinco anos, e as relações entre os dois países continuam a ser uma questão bipartidária Em 2005, 52% dos americanos tinham uma opinião favorável da China e 29% desfavorável. Isto mudou para 66% desfavorável e apenas 26% favorável, segundo uma pesquisa da Pew de 29 de março. É provável que Biden continue com a abordagem "dura com a China" iniciada por Trump, apesar de suavizar o tom e retórica. É provável que vários aspetos da política de Trump em relação à China continuem, como as restrições de tecnologia da guerra fria entre os dois países, que inibem o acesso dos chineses à tecnologia americana.

Como diplomata experiente, é provável que Biden imponha uma maior previsibilidade nas relações com a China e outros parceiros comerciais, restaurando a velha ordem mundial ao reconstruir alianças com a Europa e a Ásia. Por exemplo, é provável que mantenha alianças estratégicas como o Quad, que inclui Austrália, Índia, Japão e Estados Unidos. Além disso, espera-se que Biden ressuscite o acordo comercial da Associação Transpacífica, que exclui a participação chinesa.

5. Política económica

Biden tem uma agenda económica ambiciosa que visa aumentar a infraestrutura e modernizar a economia para se concentrar mais em tecnologia e reduzir a pegada de carbono dos Estados Unidos. O seu plano inclui impulsionar o crescimento comercial e económico através de melhorias nas infraestruturas portuárias, ferroviárias e rodoviárias, financiadas com 1,3 biliões de dólares que serão gastos durante 10 anos.

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