O que a economia nos diz acerca do destino do dólar


Uma moeda global, aceite para transações comerciais em todo o mundo e que representa quase dois terços das reservas conhecidas de moeda estrangeira dos bancos centrais, segundo o FMI: o dólar norte-americano. Em medium_fredericLerouxcomparação, a segunda moeda global mais relevante, o euro, apenas representa 20% dessas mesmas reservas. Não é por acaso que o câmbio do dólar para com as principais moedas mundiais seja das cotações mais acompanhadas pelos investidores, economistas e administradores de empresas. Conseguir prever o destino desse câmbio a um prazo relevante seria a galinha dos ovos de ouro para qualquer um desses ‘stakeholders’ do dólar. Frédéric Leroux, head of cross asset na Carmignac não tem certezas acerca do destino do dólar, mas os anos de experiência como economista facilitaram-lhe alguns insights sobre alguns indicadores que nos podem dar pistas acerca do futuro.

“No ano passado começámos a ver uma deterioração dos fundamentais macro de longo prazo do dólar. Vimos uma deterioração do défice comercial como resultado, principalmente, das políticas de Donald Trump e verificamos que no longo prazo, as variações entre os twin deficits e o nível do dólar (trade-weighted) são marcadamente correlacionadas. De tempos a tempos observamos algumas discrepâncias - vemos uma agora - e eventualmente as duas linhas deverão confluir”, explica o economista da Carmignac relativamente à relação ilustrada no gráfico abaixo.

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Mas não fica por aqui. São mais os sinais que estão a piscar em vermelho para a moeda norte-americana. “É interessante ver que no curto prazo existem outros indíciosde que a força do dólar se poderá deteriorar. Os diferenciais de taxas de juro entre os ativos norte-americanos e os do resto do mundo estão também significativamente correlacionados com a evolução da moeda. Durante os últimos anos vimos uma redução significativa do spread (gráfico da esquerda, abaixo), o que faz com que se torne relativamente mais atrativo para os investidores investirem em ativos noutras moedas. Isto diz-nos, novamente, que no futuro o Dollar Index deverá reagir no sentido de um dólar mais fraco”, acrescenta.

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Por fim, o economista destaca uma terceira relação relevante, patente no gráfico da direita, acima. “No gráfico estão patentes os efeitos das recentes políticas da Fed no mercado de Repos. Como consequência as reservas dos bancos na Fed estão a crescer muito rápido e a evidente correlação de longo prazo faz com que a relação das reservas com  o câmbio  seja mais um bom indicador para o comportamento do câmbio euro-dólar”, conclui. São assim três as red flags que sinalizam uma deterioração da divisa. Se daqui não tiramos certezas, pelo menos são indicadores de que os investidores europeus em ativos norte-americanos deverão pensar duas vezes acerca do impacto que pode ter nos seus investimentos.

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