O potencial de rentabilidade como objetivo central da gestão


O fundo de obrigações português mais rentável de 2019… de 2018 e de 2017. São já vários os períodos consecutivos em que o NB Obrigações Europa supera os seus pares em Portugal em termos de rentabilidade, o que não acontece por acaso. Vasco Teles, o gestor ao comando do fundo, almeja exatamente atingir esse objetivo e assim o fez. “A gestão da carteira não tem como principal preocupação a diluição de riscos, mas a maximização da rentabilidade esperada. Maior granularidade mitigaria riscos de desvios face ao mercado, diminuiria a volatilidade, mas perturbaria a flexibilidade, tempo de reacção e enfoque nas ideias promovidas”, explica.

Com 10,55% de rentabilidade, o fundo, que obtém em 2020 a classificação de Blockbuster do Selo Funds People, tem no NB Euro Bond o seu equivalente luxemburguês, que não sendo idêntico, é gerido por Vasco Teles com os mesmos princípios e que atingiu em 2019 os 12,24% de rentabilidade. Merece assim também as distinções que a Funds People lhe atribui este ano, nomeadamente a classificação de favorito dos Analistas e Consistente Funds People 2020.

Mas focando na estratégia de investimento domiciliada em Portugal, Vasco Teles define-o como um fundo que privilegia o potencial de rentabilidade, “em prejuízo de minimizar desvios face ao índice de referência” recorrendo, para isso, ao investimento em dívida governamental em euros. Neste sentido e quando questionado acerca da concentração do fundo, o gestor é assertivo e re-afirma que “gestão da carteira não tem como principal preocupação a diluição de riscos, mas a maximização da rentabilidade esperada.”

A flexibilidade na prática

Com um processo de investimento que, como diz, “segue as premissas normais de análise e discussão em comité de investimento, aprovação em sede de asset allocation, e implementação, resultando numa distribuição de riscos coerente”, a carteira assenta maioritariamente nas ideias mais fortes defendidas. Vasco Teles dá como exemplo de uma ideia forte o investimento em dívida italiana, que é posta em prática “normalmente” num equilíbrio “com algum tipo de mecanismo flexível - neste momento, futuros italianos e componente de duração core - que contribua, na medida do possível, para ajustar a carteira quando o posicionamento estrutural se revele perdedor.”

Esta abordagem, com o recurso a derivados para efeitos de flexibilidade tem, segundo o gestor, duas facetas. Por um lado, permite “alavancar a carteira e as convicções e permite defender o fundo, em determinadas circunstâncias, quando o posicionamento se revela deficiente. Uma terceira via é utilizada, que normalmente designamos como “aderência à dinâmica”, que mais não é que um automatismo de ajustamento à tendência, que é feito numa base permanente.”

 A performance de 2019 e o posicionamento para 2020

As ideias fundamentais resultaram, com a Grécia a contribuir com dois terços da rentabilidade e Itália com perto de um terço. O posicionamento em taxa de juro sem risco (países centrais) revelou-se deficiente, tendo gerado perdas na ordem do meio ponto percentual em termos absolutos”, comenta o gestor relativamente à performance attribution em 2019. Já para 2020, Vasco Teles continua a apostar no cenário de “low volatility, low rates and low spreads”, dados os “constrangimentos com que a Zona Euro se depara, em especial, dadas as condicionantes de sustentabilidade de Itália, Grécia ou Portugal. A maior aposta para 2020 será Itália, não só pelos níveis a que transaciona e pelos pressupostos anteriores, mas também porque a convicção é de que politicamente, quer pela mão do governo de esquerda atual, quer dum eventual novo governo direita, haverá interesse intrínseco em estabilizar financeiramente o país”, termina.

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