O PIB português deverá crescer 1,7% em 2017


No BBVA Research acreditam que um cenário mundial favorável, com baixas taxas de juro e riscos que se revelaram menos impactantes do que anteriormente se esperava – como o brexit ou a incerteza acerca da política económica – deverão dar um impulso à economia, o que justifica a estimativa de crescimento do PIB português em 2017 de 1,7%, acima do previsto no mês de novembro. “Embora se perceba que alguns fatores que têm apoiado o crescimento da procura interna possam ser transitórios, caso se consolide a recuperação do investimento e se mantenha o crescimento das exportações, a evolução da economia poderá continuar a surpreender em alta”, destacam da entidade.

No entanto, não deixam de apontar a as dúvidas acerca da “solidez da recuperação do investimento, num cenário de elevado endividamento público e privado”, a “incerteza sobre a restruturação do sistema financeiro português” e a incerta “sustentabilidade do aumento observado recentemente no consumo das famílias, dado o baixo nível da taxa de poupança das mesmas”, como factores de risco a considerar durante os próximos trimestres.

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Procura interna acelera

Segundo o comunicado, a procura interna, depois de ter pesado no crescimento durante o terceiro trimestre, “voltou a contribuir positivamente para a atividade económica no último trimestre do ano passado”. O consumo privado acelerou a sua performance durante o mesmo período (3,1% no ano), “apoiado pelo impulso da procura, travada durante o período de crise, e pela redução da incerteza no mercado laboral, dado o crescimento do emprego, e ainda por uma política monetária expansiva que reduziu as taxas de juro e aumentou a disponibilidade do crédito”.

Por seu lado, o consumo público apresentou um crescimento ligeiro no ano (0,8% em 2016), explicado em parte pelo cumprimento do objetivo de défice em 2016: “À falta de conhecer o valor do défice público em termos de Contabilidade Nacional, tudo aponta para que, finalmente, Portugal cumpra o objetivo fixado para o conjunto do ano (2,5% do PIB) e até possa reduzi-lo em alguma décima”.

O Investimento foi o factor que mais pesou na mudança de rumo da procura interna em relação ao trimestre anterior, nomeadamente em resultado de um aumento de 5% da Formação Bruta de Capital. “O investimento na construção e, em menor medida, em material de transporte, foram os fatores que mais contribuíram para a recuperação” explica o BBVA Research.

Mas a procura externa pesa no crescimento

A procura externa líquida voltou a contribuir negativamente para o crescimento no último trimestre, depois da surpresa positiva do trimestre anterior: “A recuperação das importações (7,4% em termos homólogos no quarto trimestre) confirmou o carácter transitório da queda observada no terceiro trimestre, compensando a boa evolução das exportações”.

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“Assim, e embora os indicadores conhecidos demonstrem no geral avanços positivos, os desequilíbrios ainda existentes e a sustentabilidade dos crescimentos observados, tanto na procura interna como no investimento, continuam a gerar dúvidas sobre o ritmo de recuperação da atividade económica em Portugal. Espera-se que o consumo privado se mantenha dinâmico ao longo de 2017 e 2018, apoiado pela melhoria da riqueza líquida das famílias, pela diminuição da incerteza, pela continuação de uma política monetária expansiva e por uma política fiscal que deverá manter-se de neutra a ligeiramente contractiva”, concluem do BBVA Research.

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