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Peso mexicano: o inesperado indicador de opinião sobre as eleições nos EUA


Graças à polémica campanha do candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump, as eleições presidenciais nos EUA envolveram mais um elemento relevante: o México. “A véspera das eleições presidenciais dos EUA em novembro chamou a atenção para uma série de temas relevantes para o México, incluindo a imigração e o comércio, e muitos observadores constataram como o movimento do peso mexicano atuou como uma proxy das sondagens sobre as eleições” observa Mark Mobius, o guru dos emergentes e gestor da Franklin Templeton Investments.

Mobius recorda que a política monetária mexicana encontra-se numa fase muito distinta da sua equivalente norte-americana: o Banco do México subiu as taxas de juro três vezes este ano, até ao nível atual de 4,75%. Apesar destas medidas, o peso caiu mais de 10% contra o dólar este ano, até perto de mínimos históricos. A inflação – atualmente abaixo do objetivo de 3% - também é uma preocupação para as autoridades monetárias do país, devido ao impacto associado a uma moeda débil. A postura do gestor é que “a taxa oficial, em 4,75%, significa que o México oferece uma rentabilidade atrativa para muitos investidores que encontram taxas negativas noutros países”.

O peso como indicador de opinião

“Foi reconhecido amplamente pelos observadores de mercado – e portanto, pelo banco central do México – que a retórica da campanha presidencial nos EUA e as potenciais mudanças políticas têm tido impacto sobre o peso”, admite o gestor. Este constata que o peso se apreciou a par com a melhoria da posição de Hillary Clinton, segundo sondagens recentes, e isto leva-o a afirmar que “muitos observadores acreditam que, para que a divisa cote a um nível mais razoável, Hillary Clinton precisa de ganhar”.

Existe uma questão de primeira ordem para o México associada igualmente ao peso, que se trata das remessas de divisas que enviam os emigrantes mexicanos nos EUA de volta para o país. É um aspeto chave, dado que contribui, deste modo, para o consumo no México. Mobius afirma portanto, que “este fluxo de dinheiro também poderá sofrer o impacto das políticas norte-americanas. Trump propôs planos para apoderar-se de parte dessas remessas para construir um muro fronteiriço com os EUA. Isto seria bastante prejudicial para o México, pois as remessas representam mais de 22.000 milhões de dólares a fluir para o país, mais de 2% do PIB”.

A questão do comércio

Outro dos assuntos mais preocupantes da campanha de Trump tem sido a sua pretensão de renegociar o tratado NAFTA. Mobius afirma, não obstante, que “grande parte da retórica utilizada por ambas as partes durante a campanha nos EUA são somente discurso, pode não resultar numa ação política”. Por uma parte, acredita que, independentemente das mensagens sobre a restrição do comércio, “seria muito difícil, ou quase impossível, que seja destruído o comércio entre os EUA e o México, considerando que os vínculos entre os países são muito profundos”. Por outro lado, o especialista afirma que “manter a NAFTA – que inclui também o Canadá – é importante tanto para o México como para os EUA. A NAFTA foi uma consequência natural do que se estava passar antes de se tornarem populares os acordos”.

O especialista acredita que a proposta de renegociação da NAFTA pode ser a antecipação de um padrão futuro, que daqui em diante poderão ganhar mais peso os acordos bilaterais que os multilaterais: “Se se desmantelar a NAFTA, o acordo poderia ser substituído por um acordo bilateral que no final, poderia não ser tão diferente do acordo atual”, conclui.

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