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O “mercado metadona”


Os bancos centrais estão a avançar com políticas para criar inflação, no sentido de combater o espectro de uma deflação, mas, alerta Jeffrey Rosenberg, ‘chief investment stratagist’ da BlackRock, para a área de ‘fixed income’, a intenção pode não ter o resultado desejado na economia.

Os tratamentos de substituição com metadona para adição à heroína são controversos; igualmente controversos são os tratamentos de substituição das políticas monetárias globais para a adição ao crédito dos mercados financeiros e das economias”. É com esta comparação que Jeffrey Rosenberg sustanta o que designou por “mercado metadona”, referindo que, “a ‘cura’ para a crise do crédito tem sido simplesmente mais crédito – desta vez fornecido através de uma expansão massiva dos balanços dos bancos centrais, para compensar a contracção no crédito privado”. Esta adição, sublinha no “Fixed Income Market Strategy” de Maio, “não é curada mas antes suplantada por um opiácio que se espera mais gerível e menos destrututivo”.

O Banco do Japão tornou-se no maior fornecedor de liqudez do mundo, depois da anunciada intervenção de 60-70 biliões de ienes e a reacção do mercado a esse anúncio “ilustra bem como o ‘mercado metadona’ funciona”, refere. O melhor mercado obrigacionista nesse dia foi a França; “a razão por que foi ilustra muito como os mercados financeiros operam num mundo de política monetária ‘pouco convencional’: antecipam o que os bancos centrais vão comprar e compram-no por eles”, sublinha.

A reacção institiva dos investidores a estas políticas de impressão massiva de dinheiro “é de, correctamente, temer as consequências inflacionistas”, a questão é acertar no ‘timing’, refere Jeffrey Rosenberg. Os decisores políticos pelo mundo “estão a lutar contra o espectro da deflação com políticas desenhadas para criar inflação”. Mas, enquanto esta é a intenção, “o resultado na economia real é frustrado por problemas tanto de oferta como de procura no sistema bancário. O excesso de liquidez cria inflação – mas nos preços dos activos, na eocnomia real ainda não”, destaca. Ou seja, “a criação de dinheiro é a condição necessária para a inflação, mas não é suficiente”, afirma. “A expansão do mercado privado de utilização de crédito ainda é necessária para a inflação”.

O responsável da BlackRock adianta que os Estados Unidos parecem estar a ser os primeiros a mostrar expansão, com a crítica “echo-bubble” na habitação a levar “tanto a oferta como procura para expansão do crédito. Mas o resto do mundo desenvolvido permanece em contracção, contribuindo para a desinflação a nível global”.

Então, o que deve um investidor fazer com o dinheiro, questiona? “Venda as suas protecções contra a inflação”, afirma. Os números da inflação (pelo menos aqueles que os decisores políticos usam) estão actualmente em queda. “Vemos a inflação estável no curto prazo e a falta de aumentos enfraquece o caso para protecções contra a inflação, enquanto os seus preços elevados tornam-nas vulneráveis a uma quebra”, como aconteceu recentemente com o outro.

Perante este cenário, Jeffrey Rosenberg afirma que a melhor protecção contra a inflação “continua a ser manter-se exposto a activos de risco – por um lado acções e por outro crédito, no ‘fixed income’ -, que continuará a inflacionar dentro de uma ampla e agora em expansão liquidez global”, sublinha, na nota de estratégia de Maio.

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