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O melhor amigo do presunto


A primeira vez que pedi um manzanilla, trouxeram-me um chá de camolila. Pouco conhecedor das subtilezas da língua espanhola, mas entusiástico apreciador dos vinhos de Jerez, achei, naturalmente, que era esse o nome que em Sevilha davam aos vinhos brancos generosos do Sudoeste da Andaluzia. Não é; em qualquer bar andaluz, um manzanilla é um chá de camomila, e o vinho com o mesmo nome é conhecido por fino.

Passados uns dias, em visita a uma das adegas de San Lúcar de Barrameda, fui finalmente esclarecido. Embora manzanillas e finos não sejam rigorosamente a mesma coisa, o nome comum é fino. Mas atenção: sendo ambos vinhos brancos generosos da zona de Jerez, só os vinhos engarrafados em San Lúcar possuem a designação de manzanilla. Os outros, também integralmente produzidos a partir de uvas palomino, são chamados finos.

Devo dizer que, para mim, as diferenças são poucas ou nenhumas. O fino é um vinho branco que normalmente teria 11 ou 12 graus mas que no primeiro inverno de maturação beneficia do acréscimo de álcool, permitindo-lhe atingir 15 a 16 graus de graduação. Os manzanillas são, como já se disse, de San Lúcar, que estando muito próximo da foz do Gualdiviquir e, principalmente, estando rodeada de terrenos que, em tempos, foram fundo marítimo, têm teoricamente, um ligeiro travo salgado que os distingue dos finos.

Mas o importante é que o fino/manzanilla é um óptimo aperitivo e, provavelmente, o melhor acompanhamento para as famosas tapas. Eu, em particular, acho o casamento entre este vinho e um qualquer bom presunto uma junção perfeita. E, considerando o (justo) culto que o presunto tem em Portugal, aconselho vivamente a prova de um com o outro. De resto, os espanhóis aconselham o fino/manzanilla com tapas em geral, mariscos e frutos secos. Não partilho inteiramente desta opinião: tapas talvez, mariscos não, frutos secos sim.

O templo, por excelência, da manzanilla, é a famosa feira de Sevilha, onde reza a lenda que se consomem quase dois milhões de garrafas em poucos dias (parte importante dos dez milhões de garrafas bebidas em Espanha todos os anos). Curiosamente, a moda actual favorece o manzanilla, supostamente mais ligeiro e por isso mais adequado para os quentes dias de Abril na capital andaluza.

Os manzanilla têm ainda a vantagem acrescida de serem baratos – a partir de cinco euros, consegue comprar-se uma garrafa perfeitamente decente. Não encontro diferenças substanciais entre os manzanillas mais comuns, mas tendo a gostar mais do La Gitana. Em Portugal, o mais fácil de encontrar é o Tio Pepe (este é um fino).

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