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O leque de possibilidades que se abre agora para May


O Brexit encalhou no Parlamento britânico. A contundente derrota do plano alcançado entre o Governo de Theresa May e Bruxelas causou incerteza sobre como e quando acontecerá finalmente a saída do Reino Unido da UE. Agora, todos estes cenários estão abertos. A primeira ministra irá anunciar brevemente o seu plano B, pelo que rapidamente teremos a solução. A teoria central da maioria das gestoras aposta num acordo mediante o qual o Parlamento acabará por apoiar o “plano B” do Governo. É a tese que defende Gordon Brown, gestor e corresponsável global das carteiras da Western Asset, filial da Legg Mason Global AM, que considera que as probabilidades de que se leve a cabo um Brexit mais suave ou mais tardio aumentaram.

Mas…quais são as soluções alternativas ao impasse do Brexit? Em primeiro lugar, está a oferta de May de trabalhar com todos os partidos, ao qual se dá um tempo muito limitado. Só no caso de o Parlamento realmente ganhar controlo é que uma solução deste tipo seria mais viável, defende Stephanie Kelly, economista política de Aberdeen Standard Investments. “Alternativamente, May podia apresentar votações múltiplas sobre vários resultados – embora isto fosse depender da forma como se movesse no tema da união aduaneira e a livre circulação – para encontrar um compromisso capaz de contar com o apoio da maioria. Trata-se de uma abordagem desordenada, mas apresenta-se como uma forma de avançar”, afirma a especialista.

A Noruega Plus (EEE + União Aduaneira) é a opção mais óbvia que se poderá apresentar neste caso, mas desperta grandes questões. “Da parte do Reino Unido, seria necessário que os conservadores experimentassem uma mudança e que apoiassem os deputados trabalhistas sobre a livre circulação de trabalhadores e a união aduaneira. Da parte europeia, persistem as incertezas sobre como o Reino Unido poderia cumprir as normas de adesão à Associação Europeia de Livre Comércio e fazer parte da união aduaneira da UE. A Noruega, por exemplo, demonstrou sinais de oposição à adesão do Reino Unido. Contudo, existe um certo grau de apoio a esta decisão no Parlamento e a probabilidade aumentou nos últimos meses”.

De um modo geral, o leque de possibilidades que se abrem agora para Theresa May são resumidos por Olivier de Berranger, diretor de Investimentos da La Financière de l’Echiquier, em cinco pontos:

  1. Voltar a negociar com Bruxelas ou pedir um adiantamento sobre a data do Brexit. “Neste caso parece possível um adiantamento, mas ficaria praticamente descartado que a UE faça mais cedências ao Reino Unido”, afirma.
  2. Submeter outra proposta do Brexit ao Parlamento tendo em conta que o voto a favor do governo atual na moção de censura lhe dará mais peso. O problema é que o resultado não parece diferir do que se produziu na primeira votação.
  3. Convocar novas eleições. “É uma opção que permitirá a Theresa May sair reforçada no caso de uma vitória, mas é uma “faca de dois gumes”. Parece pouco provável que o partido conservador assuma este risco”.
  4. Organizar um novo referendo. “Esta hipótese, que durante muito tempo parecia impossível, cada vez ganha mais força e possivelmente permitirá resolver esta situação atual.”
  5. Levar a cabo um Brexit sem acordo. “Seria o pior cenário para o Reino Unido, sobretudo a curto prazo”, conclui o especialista.

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