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O ISR em ação: reembolsos milionários na Fisher Investments após comentários sexistas do seu presidente


O impacto que está a ter o auge do investimento socialmente responsável não só se reflete no facto de serem cada vez mais as empresas que optam por investir em melhorar a sua pontuação ESG para captar o interesse dos grandes investidores. Além disso, cada vez são mais as gestoras de fundos que levam a cabo políticas de ativismo nos Conselhos de Acionistas para as que empresas onde investem implementem critérios de bom governo, sociais ou ambientais nos seus modelos de negócio.

Também se nota que cada vez são mais os investidores que incluem estes critérios no momento de compor as suas carteiras ou na redução da tolerância que esses investidores têm face a certos comentários ofensivos que possam pôr em perigo um dos suportes do investimento sustentável: a redução da diferença de género em todos os espectros sociais, incluindo também os verbais. Uma prova disso viu-se nas últimas semanas com um caso que bem se podia incluir nos futuros livros que se venham a escrever sobre ISR.

Trata-se do caso da Fisher Investments, uma empresa fundada no ano de 1979 por Ken Fisher, conhecido entre outras coisas por ser o terceiro colunista mais veterano da revista Forbes e por ser o filho de Philip Fisher, um dos investidores americanos mais famosos do século XX e autor do livro “Common Stocks and Uncommon Profits”. No início de outubro o fundador da empresa e presidente Ken Fisher fez declarações muito sexistas - que não vale a pena serem reproduzidas – numa conferência em São Francisco. O público que estava a assistir não tardou a mostrar o seu repúdio nas redes sociais.

Fisher pediu desculpa por esses comentários. “Algumas das palavras e frases que utilizei durante uma conferência recente para falar de certas questões foram claramente equivocadas e não deveria ter feito esses comentários. Apercebi-me que este tipo de linguagem não cabe na nossa empresa ou indústria. As minhas sinceras desculpas”, afirmou. Mas isso não impediu que vários investidores, principalmente institucionais, tenham optado por retirar o seu dinheiro da empresa. Em concreto, os reembolsos que a gestora americana recebeu desde então ascenderam a mais de 3 000 milhões de dólares, o que é um património considerável tendo em conta que a empresa geria no fecho de setembro um total de 112 000 milhões de dólares, dos quais 35 000 vinham de mandatos ou de investidores institucionais.

Alguns dos clientes que cortaram a sua relação com a Fisher Investments foram o Fundo de Pensões de New Hampshire, o do Michigan, o dos empregados públicos da Flórida, o plano de pensões da polícia e bombeiros de Los Angeles assim como a gestora Fidelity Internacional que decidiu revogar o mandato de gestão que tinha com a Fisher Investments. Além disso, estes reembolsos poderão aumentar nos próximos dias tendo em conta que, segundo informa a Reuters, a consultora de pensões Mercer lançou um aviso aos seus clientes face à possibilidade de que continuem a acontecer mais perdas na empresa que sejam acompanhadas também por saídas dos seus empregados.

A gestora reafirma a sua aposta na inclusão e diversidade

Foi precisamente a esses empregados que o CEO da gestora, Damian Ornani, se quis dirigir. Fê-lo através de uma carta, à qual a Funds People teve acesso, onde quis mostrar o seu repúdio relativamente às declarações proferidas por Ken Fisher. “Os comentários recentes também questionaram o nosso compromisso e apoio às mulheres. Como vosso CEO, repudio categoricamente essa nação. Deixem-me ser claro: os comentários de Ken foram incorretos. Ele admitiu isso e pediu desculpa. Aceito as suas desculpas porque o conheço como o fundador desta empresa, incorporou valores que todos partilhamos dentro da empresa e sem sombra de dúvida ele ama esta empresa mais do que qualquer outra coisa no mundo”, afirma Ornani.

Além disso, sublinhou o compromisso que historicamente a gestora teve para efeitos de diversidade e da promoção da mulher ao mesmo tempo que prometeu continuar a melhorar a política igualitária. De facto, anunciou a criação de um grupo de trabalho focado precisamente em potenciar essa diversidade e inclusão dentro da gestora. “Esse grupo de trabalho analisará o que fizemos, o que fazemos hoje, o que fazem outros na indústria e mais além. Esta força de trabalho será dirigida por Lane, Jill e Carrianne (vicepresidentes sénior da empresa) e terá uma representação diversa em todos os níveis da empresa. Elas vão passar-me todas as suas recomendações diretamente a mim e serão implementadas com rapidez. Esta é uma prioridade para mim enquanto CEO e para a empresa”, afirma Ornani na missiva.

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