O Investment Landscape Best Ideas 2018 em três perguntas


Retorno absoluto, ações e, este ano, obrigações: já são três as edições do Investment Landscape Best Ideas, e a edição de 2018 voltou a contar com a presença de três especialistas de investimento da Aberdeen Standard Investments, da Insight (parte da BNY Mellon) e da Columbia Threadneedle Investments. Mais uma vez a moderação ficou a cargo de Leonardo Mathias, que abriu as hostes para um interessante debate sobre o mercado de fixed income, que contou com as intervenções de Henry Stipp, head of emerging market debt, EMEA, da Columbia Threadneedle Investments, Mark Munro, portfolio manager, da Aberdeen Standard Investments e, por fim, Ulrich Gerhard, senior portfolio manager high yield, da Insight (parte da BNY Mellon).

No evento no qual o mercado de fixed income foi o tema central, foram respondidas três questões: melhores oportunidades em mercados emergentes; preferências dentro do segmento high yield; e a existência de uma bolha no mercado de obrigações. Eis as respostas dos especialistas.

Leonardo Mathias - Quais as melhores oportunidades em mercados emergentes por esta altura: hard currency vs local currency, por exemplo?

Henry Stipp - Acredito que existem oportunidades tanto em hard currency como em local currency; contudo, existem algumas questões idiossincráticas em ambas as partes. Destaque, por exemplo, para o rally proporcionado pelo declínio da inflação em países como a Rússia ou o Brasil. Tanto num país como no outro continuam a existir ‘pockets of value’. Em termos genéricos, pode dizer-se que os mercados emergentes têm vindo experienciar muitas melhorias macroeconómicas que justificam os inflows registados recentemente. (Leia a recente entrevista do profissional à Funds People Portugal).

Leonardo Mathias - Dentro do segmento high yield quais são, por esta altura, as suas preferências: Estados Unidos ou Europa? Ou acabam por estar ambos demasiado correlacionados?

Mark Munro - Em termos de fundamentais e de valuations obviamente que existem diferenças. Nos EUA, por exemplo, as reformas tributárias não ajudaram propriamente as empresas com menor qualidade dentro do segmento high yield, em particular as CCC. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos têm passado por uma maior emissão de dívida nos últimos dois anos, porque se apresentavam mais à frente no ciclo. Por outro lado, acredito que na Europa as valuations estão bastante mais simpáticas: os movimentos dos spreads durante os últimos meses têm sido muito interessantes. Os ‘single B’, por exemplo, creio que por esta altura se afiguram como mais interessantes na Europa do que nos Estados Unidos.

Leonardo Mathias - Existirá uma bolha no mercado de obrigações ou simplesmente existem algumas partes que estão sobrevalorizadas comparativamente com outras?

Ulrich Gerhard - Não acredito que exista uma bolha no fixed income. Entendo sim que a alocação que tem vindo a ser feita a este segmento não se vai desenrolar de forma significativa daqui para a frente porque o que os investidores necessitam é de income; apenas o fixed income consegue providenciar esses cash flows estáveis no longo prazo, de forma a satisfazer instrumentos como os fundos de pensões, seguradoras, etc. Mas é também bastante claro que as taxas de juro não irão subir. Estamos a assistir a um ciclo de reversão nos Estados Unidos, mas ainda não na Europa, muito embora as economias do velho continente – tal como Portugal - estejam em fase de crescimento. Não há motivo para o BCE continuar com o seu QE, e não há justificação para as taxas estarem onde estão.  Importa recordar que no primeiro trimestre deste ano, a classe de ativos que pior se saiu foi o investment grade. Porquê? Por causa da duração.

A repatriação de liquidez nos EUA é para mim uma preocupação porque assumo que a maioria desse dinheiro faz parte de obrigações em dólares de 1 a 5 anos, que terão de ser vendidas. A pergunta é: o que é as empresas vão fazer com esse dinheiro? Algumas poderão fazer recompra de ações ou então fazer a recompra de algumas obrigações  ‘long dated’ a desconto, com um cupão muito baixo. Tudo isto poderá provocar alguma indigestão no mercado norte-americano.

 

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