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O investimento 4.0 que apaixona os selecionadores de fundos


A robótica é uma temática que, a pouco e pouco, está a ganhar terrenos nas carteiras dos investidores. Trata-se de uma ideia de investimento pela qual os investidores de fundos europeus se estão a interessar cada vez mais e onde se estão a produzir importante fluxos de entrada. “A popularidade dos fundos de robótica é um bom exemplo de como os selecionadores de fundos estão a procurar investimentos temáticos. São produtos que, em geral, podem oferecer uma história de marketing convincente e ao mesmo tempo oferecer bons resultados”, afirma Mark McFee, editor financeiro da MackayWilliams.

Segundo explicam a partir da consultora britânica, a maior parte dos produtos que existem no mercado foram lançados em 2015. Ainda que a vida destas estratégias seja muito curta, os volumes de ativos que alcançaram algumas delas são muito relevantes. Aquele que mais sucesso comercial alcançou é o Pictet Robotics. A Pictet AM conseguiu captar com este produto no ano passado 2.500 milhões de euros, o que elevou o seu património até aos 5.300 milhões. Não é o único produto que segue a mesma filosofia e que está a registar importantes entradas de dinheiro.

Para além desta estratégia, no ranking dos produtos que mais fluxos captaram no ano passado encontram-se tanto ETFs como fundos de gestão ativa. Entre os primeiros destaca-se um fundo cotado pela BlackRock, o iShares Automation & Robotics Ucits ETF (1.000 milhões) e outro da ETF Securities, o ROBO-STOX Global Robotics and Automation GO UCITS ETF (560). Entre os segundos, os que atraíram mais fluxos foi um produto da Credit Suisse AM, o Credit Suisse Lux Global Robotics Equity (820 milhões) e outro da Polar Capital, o Polar Capital – Automation & Artificial Intelligence (540).

As gestoras estão conscientes de que se trata de uma categoria onde existe uma importante procura e colocaram a máquina de criação de produto a trabalhar. É o caso da Candriam, BNP Paribas AM, Allianz Global Investors, Robeco ou AXA IM, que lançaram produtos deste tipo. “Num ambiente de baixo crescimento, há que procurar áreas onde o potencial seja maior. Trata-se de colocar à disposição dos clientes fundos que procurem empresas que melhor captam esse crescimento e aproveitam as grandes correntes que existem no mundo. A robótica é uma indústria que se estima que deverá crescer a uma taxa anual de 15% nos próximos anos”, explica Beatriz Barros de Lis, diretora geral da AXA IM para a Ibéria.

Ainda que algumas valorizações de empresas possam parecer caras, os especialistas consideram que o verdadeiramente importante é colocá-las em perspetiva com a criação de lucro que podem oferecer. A história é simples de vender e de fácil compreensão por parte do cliente. Cada entidade apresenta a ideia como considera mais adequada para captar a atenção dos selecionadores, saturados de produtos. Para que o conceito seja aceite, é habitual que as gestoras o elevem ao nível de categoria, como se a irrupção dos robôs marcasse o início de uma mudança de era. É o que faz a BNY Mellon IM.

“A primeira Revolução Industrial introduziu o uso das máquinas nas fábricas. A segunda testemunhou o nascimento das cadeias de montagem. A terceira significou a chegada dos robôs ao cenário industrial. A indústria 4.0 usa tecnologia inteligente para melhorar os processos de fabrico, que aumenta a eficiência e permite adaptá-los mais facilmente às necessidades do cliente. O objetivo é integrar a automatização, dados, análise de dados e fabrico para gerar novos modelos operativos e de negócio. Terá importantes consequências para as empresas”, assinala a equipa da Walter Scott, filial da gestora.

Na Pictet AM, veem-no como uma megatendência. “Os robôs da nova geração são mais baratos, pequenos, inteligentes e de confiança, mais eficientes no uso de recursos, capazes de melhorar a produtividade global, favorecer a produção local e facilitar produtos e serviços personalizados. O crescimento na próxima década pode ser de 10% por ano, até quatro vezes mais rápido que a economia mundial, segundo a consultora Boston Consulting Group. Trata-se de selecionar os ganhadores do futuro. As oportunidades encontram-se ao longo da cadeia de valor”, sublinha Peter Lingen, gestor do Pictet Robotics.

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