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O futebol tem alguns bons COO’s


Terminado o período de férias, setembro é um mês que para mim tem mais aspetos de mudança de ano do que a passagem de calendário no final de dezembro. Por exemplo, em setembro inicia-se um novo ano letivo, um novo ano judicial, um novo ano político, uma nova época de futebol, entre tantos outros aspetos.

Desta vez e porque o futebol é cada vez mais um negócio do que desporto, apesar de os resultados financeiros dependerem dos resultados desportivos, venho salientar neste artigo um clube e um treinador, o AS Mónaco e Leonardo Jardim.

Se fizermos uma analogia entre um clube e uma empresa e em que o treinador é o Chief Operating Officer (COO), pois é ele que tira o máximo proveito dos ativos que tem ao seu dispor de forma a rendibilizá-los para o clube, o AS Mónaco e o seu treinador são uma referência a nível mundial nos últimos anos, quer em resultados como em vendas de ativos (neste caso de jogadores).

A descoberta de jovens talentos e a capacidade de lhes potenciar valor, fazem do treinador do AS Mónaco um excelente COO a quem o(s) dono(s) do clube certamente estará(ão) bastante agradecido(s). Seria bom que no universo das empresas portuguesas e europeias, conseguíssemos encontrar muitos exemplos destes.

Sem ser muito exaustivo, o AS Mónaco vendeu nos últimos anos, entre outros, os seguintes jogadores: Martial (60 milhões €), Kondogbia (36M €), Kurzawa (25M €), Abdennour (22M €), Ferreira Carrasco (17,3M €), Ocampos (7,5M €), Bernardo Silva (60M €), Kyllian Mbappé (135M €), Thomas Lemar (70M €), Fabinho (45M €),Ghezzal (14M €), Terence Kongolo (20M €), Adama Diakhaby (10M €), entre outros.

Quem conhecia Mbappé, Lemar, Fabinho e outros jovens como o Bernardo Silva para não citar outros, antes de serem trabalhados por Leonardo Jardim?

Logicamente que o AS Mónaco também adquiriu jogadores, mas o saldo é significativamente positivo. Por exemplo, para a época de 2018/19, o AS Mónaco comprou jogadores no valor de 128M € e vendeu jogadores no valor de 316,85M €, ou seja, um saldo positivo de 188,85M €.

Podem agora dizer-me que em Portugal, os 3 grandes clubes também têm efetuado vendas significativas de jogadores. Sim, é verdade. O problema é que isso não tem chegado para diminuir significativamente o passivo dos mesmos.

Se houvessem mais profissionais como Leonardo Jardim no mundo empresarial, certamente que as nossas empresas em termos gerais não estariam tão endividadas, a sua produtividade e a sua rendibilidade seriam certamente melhores. Os seus ativos teriam mais valor, seriam mais atrativas para o investimento quer a nível nacional como a nível internacional.

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