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“O ETF mais barato nem sempre é o melhor”


A Europa está à beira de registar um auge radiante da gestão passiva que, segundo Simon Klein, responsável de vendas de gestão passiva da DWS para a Europa e Ásia-Pacífico – poderá disparar o volume de ativos dos ETFs. “Se se comparar o tamanho da indústria de fundos cotados europeia com o da gestão ativa, pode-se verificar claramente o peso ainda baixo que os ETF têm. E se se fizer o mesmo exercício comparando a quota de mercado destes produtos na Europa com o que têm nos Estados Unidos, nota-se o quão pequeno ainda é o mercado de ETFs no Velho Continente. A nossa expectativa é que o negócio de fundos cotados europeu multiplique o seu tamanho nos próximos cinco anos”, afirma o especialista numa entrevista à Funds People.

Isto traz consigo grandes desafios para os fornecedores. O mais importante: o de captar ativos e tornar-se num agente de referência na indústria num contexto no qual – tal como Klein prevê – a consolidação que o setor vive irá continuar. “Nos EUA, 85% dos ativos em ETFs estão concentrados em três fornecedores. Na Europa, essa percentagem é de 65%. Agora, a tendência é a de tentar capturar ativos com ETFs temáticos, de smart beta, ESG…São tipologias de produto que estão a registar uma grande procura. Iremos lançar, no próximo ano, estratégias temáticas de inteligência artificial e big data. No entanto, tem de se ter em conta o facto de que os maiores fluxos continuam a ir para ETFs que replicam índices core de ações e obrigações; e esses fluxos concentram-se em poucos fornecedores”.

Para se ser um fornecedor com sucesso, o responsável de vendas de gestão passiva da DWS para a Europa acha essencial estar a par das tendências que movem a indústria. A que considera mais interessante é a adoção cada vez maior do ETF por parte do investidor retail. “Este tipo de clientes está a dirigir-se para o fundo cotado. Até agora, o crescimento veio de gestores de carteiras, seguradoras, fundos de pensões… Com a MiFID II a privilegiar o custo e a transparência, a distribuição por parte das entidades financeiras de produtos que têm uma comissão fixa fará que no subjacente se incluam ETFs de forma massiva”, prevê. Por outro lado, estão os efeitos que a digitalização terá sobre a indústria de fundos cotados, outro tema que Klein considera que irá contribuir para a promoção do negócio.

Na sua opinião, os roboadvisors, irão representar um papel determinante, dado que estas empresas de consultoria automatizada fazem asset allocation com ETFs. “Há muitos, mas poucos estão a ter sucesso. No Reino Unido e na Alemanha existem alguns que estão a crescer com muita força, com aumentos anuais de património assessorado da ordem dos 20%. Há novos clientes que estão a entrar nos ETFs através dos roboadvisors, mas também através dos serviços online que a banca está a oferecer e dos planos de poupança que se estão a comercializar nalguns países, como a Alemanha, nos quais o ETF aparece como veículo subjacente”.

O mercado asiático, região na qual os ETF em formato UCITS têm um grande prestígio, irá também contribuir para o crescimento da indústria europeia de fundos cotados. “A Ásia é um mercado dominado por gestores locais e bancas privadas, no qual podemos também encontrar investidores institucionais de muito peso. Singapura é um mercado no qual estamos a ver clientes a investirem em ETFs. Na Coreia do Sul, estão os fundos de pensões. A Austrália é um mercado dominado pelos investidores institucionais… Há dez anos, nenhum destes investidores investiria em ETFs, mas agora estes agentes estão a fazê-lo, sobretudo em produtos em formato UCITS, embora também ETFs americanos quando se trata de replicar o comportamento de índices dos Estados Unidos”, revela.

Segundo Klein, a grande vantagem do Xtrackers é que são o maior fornecedor global europeu de ETFs, fazendo parte de uma entidade – DWS – que dispõe de estratégias de gestão ativa, passiva e alternativa. “Partilhamos os mesmos princípios e compromissos corporativos. Contamos com um track record de dez anos e com uma gama de ETFs muito ampla com a qual podemos dar aos nossos clientes acesso a produtos inovadores (ETF de liquidez, de obrigações de curto prazo, alavancados…) e inclusive a plataformas nas quais se pode operar com ETC, investindo por exemplo, em matérias-primas. E tudo isso a um preço muito competitivo. Isto não é uma coisa que toda a gente possa fazer”, destaca. Mas o que diferencia, segundo Klein, a sua entidade é o modo no qual gerem os produtos que comercializam.

A gestão do produto é essencial para nós, uma vez que a bondade do ETF está no custo. A gestão passiva não apenas um buy & hold. Tem de se fazer rebalanceamentos para que o ETF replique fielmente o índice subjacente. O modo no qual gerimos o produto é único: como fazemos para que recolha a estrutura e os fluxos do índice de forma mais exata possível: monitorizamos todos os componentes de atribuição de rendimento em tempo real e reagimos de imediato se for necessário. Também colocamos esta informação à disposição dos nossos clientes. Os nossos produtos contam com um longo historial de tracking error muito baixos e tracking differences muito reduzidos. No mundo dos ETFs o TER é importante, mas o fator essencial é o seu tamanho e qualidade, pelo que é preciso analisar o seu track record, o tracking difference, o bid offer spread…. Nalgumas ocasiões, depara-se com produtos muito baratos sem ativos e com bif offer spreads elevados. O cliente foca-se muito no TER porque é muito visível, embora o produto mais barato nem sempre seja o melhor”.

O responsável de vendas de gestão passiva da DWS para a Europa reconhece que, nos últimos anos, na casa fizeram um grande esforço para continuar a reduzir comissões de forma saudável naqueles ETFs que ganharam ativos e nível. “Realizámos isso tudo com o objetivo de beneficiar o cliente. Fazendo uma desagregação, em alguns produtos que comercializamos com TER de sete pontos base, a comissão de gestão que cobramos é de apenas um ponto base. O resto são gastos operacionais. No que diz respeito a continuar a baixar o TER, creio que, em muitos casos, chegámos ao fundo”, conclui.

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