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O estrangulamento na produção de Single Malt Whisky


As exportações de Scotch Whisky dispararam nos últimos 10 anos. Estima-se que estas exportações tenham atingido as 4,4 mil milhões de libras em 2013, quando em 2003 se ficavam pelas 2,4 mil milhões de libras. Um crescimento quase para o dobro, devido essencialmente ao aumento de poder de compra das economias emergentes, principalmente asiáticas. Mesmo numa conjuntura económica difícil, as exportações do bem mais precioso da Escócia continuam a crescer a um ritmo assinalável. Espera-se que o mercado global de Scotch Whisky cresça, em média, quase 3% por ano até 2018. Este crescimento virá, sobretudo, de regiões emergentes (América Latina e Ásia 4%, e Rússia – mais de 10%), uma vez que nas regiões desenvolvidas (América do Norte e Europa), o crescimento será nulo.

Esta tendência tem colocado pressão nos stocks de whisky com mais tempo de maturação. A indústria tem respondido a esta tendência aumentado a produção e a capacidade de destilação. No entanto, este é um processo que requer tempo até os stocks estarem disponíveis para entrar no mercado como produto final. Numa tentativa de contornar o problema, várias destilarias têm começado a comercializar produtos sem a menção da idade de maturação.

A idade que vem nos rótulos das garrafas de whisky refere-se ao whisky mais novo que compõe o produto final. Ou seja, se um whisky é composto por whiskies de 18, 21 e 30 anos, a idade que aparece no rótulo é 18. As destilarias optam, agora, por substituir os seus produtos antigos, onde a idade era referenciada, por novos produtos (substituindo a idade por nomes). Apesar das destilarias alegarem que a qualidade se mantem, nem sempre é esse o caso.

O whisky single malt da destilaria Macallan era considerado o Rolls Royce dos Single Malt. Eram sem dúvida produtos belíssimos, onde o envelhecimento em cascos de carvalho Sherry era factor importante para atingir essa qualidade. A linha “Sherry Oak” era composta por whiskies de 12, 18, 25 e 30 anos. Em 2004, a Macallan substituiu a linha “Sherry Oak” por uma linha menos complexa e mais leve chamada “Fine Oak”. A diferença principal era a utilização de cascos de carvalho Bourbon para “amaciar” o whisky. Na minha modesta opinião, o whisky Macallan perdeu caracter com esta mudança, tornando-se mais frutado e com menos notas de baunilha e especiarias. A linha “Fine Oak” também passou a ter um número superior de expressões: 10, 12, 15, 17, 18, 21, 25 e 30 anos.

Em 2013, a Macallan deu a mão à palmatória e decidiu voltar a usar somente cascos de carvalho Sherry, e substituiu a linha “Fine Oak” pela actual “1824 Series”. Seria como voltar ao passado, mas de uma forma diferente, uma vez que a Macallan também decidiu que a “1824 Series” não faria referência à idade de envelhecimento de cada expressão. Sendo assim, a nova linha conta com as seguintes expressões: Gold, Amber, Sienna e Ruby. As semelhanças com a linha “Sherry Oak” acabam por ser evidentes: uso exclusivo de cascos de carvalho Sherry e 4 expressões.

Como referido anteriormente, as destilarias debatem-se com problemas de falta de stock e a Macallan seguiu a tendência da indústria. O resultado final acaba por ser um misto de emoções. Os apreciadores da linha original aplaudiram a decisão, mas devem estar um pouco desapontados com o produto da nova linha “1824 Series”. Pessoalmente, e como grande adepto da linha “Sherry Oak”, esta nova linha vem corrigir a decisão da Macallan de usar cascos de carvalho Bourbon na linha “Fine Oak”, mas não chega ao nível da linha original. 

Noutro registo, o whisky mais carodo mundo é engarrafado em Portugal e custa 145 mil euros. A Vista Alegre concretizou um contrato histórico com a prestigiada destilaria escocesa Dalmore para a produção das TRÊS garrafas de cristal que irão conter o mais caro e raro whisky do mundo – o Trinitas 64. A bebida inédita resulta de uma combinação única de vintages das colheitas de 1868, 1878, 1926 e 1939, sendo adicionado um toque final com o vintage de 1940. No frasco de cristal português de alta qualidade é incrustado o símbolo em prata da Dalmore – o veado.

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