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O endividamento teima em não baixar


Apesar da evolução positiva do PIB em 2017 (crescimento de 2,7%), o endividamento total do país (Estado + famílias + empresas) teima em não baixar, aliás, como referiu recentemente o governador do Banco de Portugal.

O facto de o endividamento não se reduzir na atual fase de expansão económica, significa que o crescimento do PIB continua alicerçado maioritariamente em dívida, ou seja, a dívida cresce mais depressa que a criação de riqueza.

É urgente vermos o endividamento baixar mais depressa, sob pena de no próximo ciclo de subida das taxas de juro, os problemas passados voltarem ainda com idêntica ou mesmo, maior intensidade.

Quando se observa o crescimento do crédito às famílias (o crédito ao consumo aumentou 8,9% em 2017) e o decréscimo do crédito concedido às empresas (2,2% em 2017) e sabendo nós que a sua base de capitalização (peso dos capitais próprios) é reduzida, temos de facto que ficar preocupados.

Por outro lado, o rácio do crédito vencido das sociedades não financeiras face à carteira total do crédito dos bancos mantém-se em níveis elevados, 13,5% em dez/2017 (15,2% um ano antes) e o rácio de crédito vencido dos particulares era na mesma data de 4,8% (4,6% um ano antes).

Relativamente ao Estado, a dívida pública fechou 2017 nos 126,5% do PIB, abaixo da estimativa do governo (126,2%). Apesar de ser uma evolução positiva fica aquém do desejável, tendo em conta o enquadramento positivo da economia. A dívida pública deveria decrescer e aproximar-se mais rapidamente dos 100%.

Se aliarmos esta situação de elevado endividamento à deterioração da balança de bens em 2017 (o défice aumentou 2.463 milhões de euros), outro problema estrutural do País, a situação não está tão brilhante como alguns desejam fazer crer.

Quando a economia portuguesa cresce mais depressa, é inevitável um maior crescimento das importações face ao crescimento das exportações. Este é outro problema estrutural do modelo económico português.

Houve melhorias nos últimos anos: as exportações apenas representavam 26% do PIB em 2009/10 e em 2017 representaram mais de 40%, sendo que já foi anunciado pelos responsáveis governamentais levar este rácio para os 50% dentro de 2 a 3 anos.

O início de 2018 revelou alguns indicadores de confiança a reduzirem-se e as estimativas de crescimento do PIB são mais baixas do que o registado em 2017. Contudo, ainda é cedo para podermos concluir se o crescimento económico de 2017 foi o “cap” do ciclo atual. Temos que aguardar pelos próximos meses.

 

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