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O efeito Trump vira-se contra a economia dos EUA


Há dois anos e meio o mundo ficou surpreendido com a eleição do populista Donald Trump como presidente dos EUA. Contra todas as previsões o facto de não ter sido o candidato que Wall Street queria não impediu que o mercado reagisse positivamente à notícia. Ao fim e ao cabo, entre as propostas do multimilionário no seu programa eleitoral encontrava-se uma forte redução dos impostos e investimentos multimilionários no sector das infraestruturas.

Começou-se então a falar de um efeito Trump e não é para menos tendo em conta que essa redução de impostos que aconteceu pouco tempo depois ao ocupar a sala oval da Casa Branca (a carga fiscal das empresas passou de 35% para 20% e os escalões de tributação foram reduzidos nos rendimentos pessoais de sete a três deixando o máximo em 37% e o mínimo em 10%), o que teve um impacto muito positivo no crescimento económico dos EUA e, além disso, deu asas ao rally que já vinha protagonizando Wall Street durante a última década.

Não obstante, esse efeito Trump está a começar a virar-se contra os EUA, em particular tendo em conta os efeitos negativos que as consequências da guerra comercial com que o país há um ano lida com a China podem ter na economia americana. “Continuamos a acreditar que a economia dos EUA vai desacelerar sobretudo em 2020 à medida que se vá suavizando o impulso causado pela política fiscal e pelos efeitos de um endurecimento da política monetária. Parece improvável que se aprove numa câmara controlada por democratas mais medidas fiscais e tendo em conta a diminuição do deficit orçamental isto deverá ser interpretado de uma maneira positiva. Facilitará se houver um progresso na guerra comercial com a China porque o presidente vai dar-se conta de que tem de fazer algo para continuar a impulsionar a economia”, referem da gestora Schroders.

A ideia que defende a gestora britânica está muito em linha com os resultados que há menos de uma semana a Fidelity publicou no seu Questionário de Analistas, que entre outras conclusões vem dizer que pela primeira vez nos últimos três anos, se prevê que as políticas da Administração Trump sejam negativas para os resultados que as empresas gerarão durante os próximos dois anos.

“Ao mesmo tempo que se dissipou esse impulso fiscal, o gasto em infraestruturas dececionou e a postura combativa de Trump em assuntos de comércio internacional começou a elevar os custos para as empresas importadoras e afetou as vendas das exportadoras”, referem na Fidelity. Daí que quase metade dos analistas que cobrem as empresas americanas acreditem que as políticas de Trump vão ser um ponto negativo para o sector. De facto, o único sector em que ainda se confia que o efeito Trump seja positivo durante os próximos anos é o das telecomunicações.

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Apesar das dúvidas que crescem em torno da evolução da economia dos EUA a curto prazo, e não só a curto prazo, o certo é que Wall Street continua a usufruir do consentimento dos investidores profissionais. De facto, segundo o último inquérito a gestores publicado pelo Bank of America Merrill Lynch, a alocação destes profissionais a Wall Street deixou de ser negativa (em fevereiro situou-se nesse território pela primeira vez em nove meses) e passou a seu neutra, ao mesmo tempo que aumentou o número de gestores que subponderam ações europeias na carteira.

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