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O Dow Jones alcançou 20.000 pontos: rácios para saber se o mercado americano está caro ou barato


No mundo das finanças é sabido que o Dow Jones não é o índice mais representativo do mercado de ações norte-americano. Esse título pertence ao S&P 500. No entanto, poderá dizer-se que é mais simbólico do que outra coisa, sobretudo tendo em conta que se trata do índice mais antigo do mundo. A sua origem data do século XIX, quando dois jornalistas norte-americanos - Charles Henry Dow e Charles Milford Bergstresser - criaram um índice composto por doze empresas industriais para medir a evolução da bolsa norte-americana- Desde então, muita coisa mudou. Tanto como o próprio número de empresas que passaram pelo índice. Desde que em 1928 começou a ser composto por trinta empresas, - número de empresas que o compõe atualmente - o Dow Jones manteve-se sempre como uma referência importante do mercado norte-americano, superando crashs, guerras mundiais e crises de todo o tipo. Recentemente, o índice escreveu mais uma página na sua história, ao superar os 20.000 pontos pela primeira vez na sua história.

O Dow Jones está em máximos e sempre ouvimos os especialistas desencorajar o investimento em mercados que estão a valorizar-se. No entanto, este feito aconteceu justamente quando entrou na Casa Branca o novo presidente que promete 'make America great again', fazendo disparar o entusiamo no mercado, como é evidenciado pelo crescimento de 10% do índice depois da sua vitória de Donald Trump. Isto leva à pergunta: a bolsa americana é um mercado caro em que há pouco a ganhar e muito a perder ou continua a ser um mercado atrativo para rentabilizar o investimento? Para David Buckle, diretor geral de soluções de investimento da Fidelity, está muito caro. "Apenas em 5% das vezes esteve mais caro do que agora, embora isto não implique que exista uma correlação, porque a rendibilidade por dividendo é atrativa e há procura por rendibilidades. Estes factores sustentarão a subida, pelo menos durante o primeiro trimestre de 2017", afirma o especialista.

Segundo Buckle, o maior risco neste ambiente é o da Fed subir as taxas de juro mais rapidamente do que o esperado e obrigar a uma redução do risco, o que poderá supor uma correção. Por isso está nervoso sobre o que pode acontecer no segundo semestre de 2017. Para outros, no entanto, as ações norte-americanas são uma boa oportunidade de investimento. É o caso da J.P. Morgan Asset Management, gestora que vê o mercado norte-americano como preferido há vários anos, e que o continuará a vislumbrar dessa forma em 2017. "A bolsa americana comporta-se bem sempre e quando não estamos a falar de níveis de inflação muito elevados, que é quando os investidores não estão dispostos a pagar PERs altos. Em períodos de inflação muito baixos, como sucede atualmente, os PERs ainda conseguem suportar", afirma Lucía Gutiérrez-Mellado, subdiretora de Estratégia da gestora para a Península Ibérica.

Mas...como saber quão caras ou baratas estão, na realidade, as ações norte-americanas? Para responder a isso, analisamos o mercado em sete rácios, múltiplos que permitam ao investidor estimar a partir da objetividade que ditam os números, em que níveis se encontra atualmente a maior bolsa de valores do mundo face à sua história. Para este exercício não utilizamos o Dow Jones, mas sim o S&P500, pela sua maior representatividade.

O rácio mais conhecido pelos investidores é o PER. Este mostra que a bolsa americana está a cotar, atualmente, em 25,7x. A média dos últimos dez anos é de 13,8x e de 15,7x nos últimos 25 anos. Tendo em conta este único múltiplo, não haverá nenhuma dúvida de que os EUA estão acima da sua média histórica. O mesmo ocorre quando se analisa o CAPE ou o PER de Shiller, rácio que mede a relação entre o preço atual do índice e o lucro líquido real das empresas que o integram nos últimos dez anos. Aqui observa-se que este está atualmente nas 28,4x, um nível superior a 22,9x que é o valor médio dos últimos dez anos e, também, está acima da média dos últimos 25 anos (25,4x). Portanto, do ponto de vista de análise de ambos os múltiplos, não há nenhuma dúvida de que a bolsa norte-america está cara face à sua média histórica.

No entanto, existem mais rácios que convém ter em contar para fazer a análise mais profunda. Os mais conhecidos são o Price to Book e o Price to Cash Flow. O primeiro mede o preço em que a empresa está face ao seu valor contabilístico e, aplicado ao S&P500, mostra que atualmente está nas 2,94x. Neste caso, em comparação com a média dos últimos dez anos (2,4x), a bolsa americana está acima, mas ao mesmo nível da média nos últimos 25 anos (2,9x). No que diz respeito ao Price to Cash Flow, que mede o preço face ao fluxos de caixa gerados pelas companhias que integram o índice, mostra uma subvalorização do mercado americano (atualmente está em 8,16x, face a 9,7x que reflete a média a dez anos e 11,3x que é a média a 25 anos).

Analisando a rendibilidade por dividento do S&P 500, atualmente está em 1,99%, praticamente em linha com a sua média histórica a dez anos (2%) e ligeiramente abaixo da média dos últimos 25 anos (2,1%). Por seu lado, o Real Earning Yield do índice americano, que mede o lucro por ações nos últimos doze meses face ao preço atual da ação em bolsa, está atualmente em 3,88%. Face à sua média história a dez anos está abaixo (4,5%), embora a média nos útlimos 25 anos está mais alta (3%). 

 

 

 

 

 

 

 

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