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“O banco tem uma relação mais forte com gestores que têm uma presença em Portugal ou equipas dedicadas a este mercado”


 

Que peso tem, no seu processo de selecção de fundos, a análise quantitativa face à análise qualitativa?

Tanto a análise quantitativa como a análise qualitativa têm um papel fundamental no processo de seleção de fundos de investimento realizado pelo Deutsche Bank. São duas análises complementares e para as quais o Banco olha numa lógica de níveis. Um primeiro nível constituído pela análise quantitativa e um segundo nível de análise e seleção composto pela análise qualitativa. No primeiro nível analisamos apenas fatores, passíveis de ser quantificáveis, como a rendibilidade, volatilidade, índice de Sharpe, etc. Esta análise inicial permite-nos chegar a um ranking de fundos de investimento dentro do mesmo ‘peer group’. Neste ranking, consideramos apenas os fundos que ficam classificados nos primeiros quartis. Num segundo nível, olhamos para outro tipo de fatores não quantificáveis. Aqui, o conhecimento profundo da equipa de gestão, da entidade gestora ou do estilo de gestão são fundamentais. As nossas expetativas para a evolução dos mercados - o que implica sempre algum grau de subjetividade - também são importantes.


Uma vez escolhido o fundo, como faz a revisão dessa selecção, de forma pontual ou através de um processo regular e definido? Quais os critérios mais ponderados para deixar de recomendar um fundo?

O Banco faz uma revisão mensal da sua lista de fundos de investimento recomendados. O controlo é, portanto, bastante regular. Essa revisão é feita através da mesma metodologia que também é usada para a seleção inicial de fundos de investimento. Sendo o Deutsche Bank um banco internacional, o ‘feedback’ das equipas de gestão/seleção presentes dos vários países também é uma fonte de informação relevante para o Deutsche Bank Portugal. Este é, aliás, um importante fator diferenciador e vantagem competitiva da instituição.

Em 2008, muitos fundos tiveram problemas de liquidez, tendo sido mesmo encerrados. Perante essa experiência, alterou o seu processo de selecção ou passou a dar mais importância ao factor liquidez?

De facto, a partir de meados de 2007 alguns fundos que investiam em mercados menos líquidos enfrentaram dificuldades. O primeiro sinal ocorreu com alguns dos fundos da Bear Sterns e rapidamente se espalhou para veículos de outras gestoras. Alguns sofreram perdas relevantes e outros chegaram mesmo a encerrar ou a criar ‘side-pockets’ e veículos de liquidação. Perante este cenário, o Deutsche Bank passou a dar ainda mais importância à liquidez dos veículos de investimento e à liquidez dos investimentos que compõem os seus portefólios. Hoje em dia, os fundos com que operamos são UCITS e com liquidez diária. Também do lado dos clientes passou a haver o mesmo tipo de preocupações.

Até que ponto um bom ou mau serviço de uma gestora afecta a selecção de fundos da mesma?

O serviço que as gestoras de fundos de investimento proporcionam é bastante importante.
As entidades gestoras com quem o Deutsche Bank tem uma relação mais forte são as que têm uma presença em Portugal há mais tempo e que têm, ou já tiveram, equipas dedicadas ao mercado português (baseadas ou não em Portugal). Uma maior proximidade com o mercado português aumenta a probabilidade de um melhor serviço no que diz respeito, por exemplo, às vendas e ao marketing. A eficiência na parte administrativa também é importante, pelo preferimos as gestoras que melhor funcionam neste campo.
 

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